Esta história já deve ser conhecida, mas a ouvi pela primeira vez ontem.
No fim do século XIX, uma burguesa, filha de um grande industrial, letrada e muito inteligente saiu para andar pela cidade. Durante sua caminhada, começou a ver a realidade de perto e voltou para casa com grandes idéias esquerdistas.
-- Pai! É preciso mudar isto! Você explora seus trabalhadores, as condições de vida são miseráveis, eles não têm dignidade. É preciso diminuir a carga horária, aumentar os salários, distribuir os lucros...
O industrial ouve tudo pacientemente e, depois da exposição das idéias revolucionárias da filha, responde.
-- Filha, quanto você tirou na última prova?
-- Nove.
-- A prova foi difícil, não foi? Você estudou, se esforçou...
-- Sim, papai, e muito.
-- E aquela sua amiga que não faz nada? Que só quer saber de curtir a vida, bebe, sai? Quanto ela tirou?
-- Ah, três...
-- Então, por que você não faz o seguinte: transfere três pontos da sua nota para ela. Ficam as duas com seis de média e passam de ano...
-- Ah, não! Mas nem morta... até parece!!
-- Bem-vinda à direita.
=\\\\
terça-feira, 4 de abril de 2006
segunda-feira, 27 de março de 2006
Bom dia, leitores (vocês ainda existem?)
Notem que destino incrível: estou sem Internet. Redijo este texto de meu proto-apartamento em Campinas. Faz tempo que não escrevo em primeira pessoa no meu blog. Ele está completamente abandonado, resultado, claro, dos contratempos e favortempos da vida. Porque ela não é só feita de “contra” mas também de “favor” e, no caso desta terra que habitamos, os dois sentidos mais evidentes de “favor” podem ser aplicados.
Bom, como dizia, me deu uma vontade incontrolável de reativar este blog, mas para os que quase nada acessam – eles, sim, sabem – esta vontade é tão fugaz quanto o jornal do dia. Sobre o destino incrível, óbvio, este desejo surgiu quando os meios de publicar este post imediatamente estavam inacessíveis. Pois, para quem, assim como eu, já teve diversos lapsos de jejum virtual, o reloginho girando das lanhouses não nos deixam nem um pouco confortáveis para escrever qualquer coisa que seja (a não ser, claro, um email desesperado, uma mensagem de saudades, um comentário infame, uma notícia importante, um convite para sair e por aí vai).
Falando em escrever, lembrei-me de leitura e, por conseguinte, de cinema. Não, não. Não pretendo dissertar sobre as relações estabelecidas entre estes elementos, elas se deram por conta da ironia ou coincidência ou sarcasmo (daqueles que nos fazem rir) dos acontecimentos cotidianos.
Hoje estava a ler Machado de Assis e deparei-me com uma crônica – pela qual sou muito grata, diverti-me pelo resto do dia – que compunha regras de conduta para os freqüentadores de bonde. E lá se estabeleciam dez artigos para os usuários deste meio de transporte. Convido-os a lerem. Claro que não passa nem perto dos melhores textos do autor, mas garante boas risadas.
Enfim, de volta ao “causo”: depois de me esbaldar com os artigos, fui ao cinema. Como é típico de minha pessoa, se não se estender à maioria dos brasileiros, estabeleci uma rápida conexão de proximidade com uma senhora que também esperava abrir o cinema (sim, ainda existe isso, de esperar pelo filme do lado de fora e não dentro de um shopping).
A conversa tomou um rumo tão inesperado que ela já me dava e pedia conselhos sobre relacionamentos e não parava de falar. Tive que ser um pouco grossa para que ela fosse educada (que coisa!) com o restante da sala e mantivesse silêncio. Não pude conter aquele meio sorriso de canto de boca, sabem? Ela acabava de infringir o artigo V.
Machado tratava de bonde, mas essa raça de “amoladores” está em todos os lugares, principalmente, nos públicos.
“Art. V – Dos amoladores
Toda a pessoa que sentir necessidade de contar os seus negócios íntimos, sem interesse para ninguém, deve primeiro indagar do passageiro escolhido para uma tal confidência, se ele é assaz cristão e resignado. No caso afirmativo, perguntar-se-lhe-á se prefere a narração ou uma descarga de pontapés. Sendo provável que ele prefira os pontapés, a pessoa deve imediatamente pespegá-los. No caso, aliás extraordinário e quase absurdo, de que o passageiro prefira a narração, o proponente deve fazê-la minuciosamente, carregando muito nas circunstâncias mais triviais, repelindo os ditos, pisando e repisando as coisas, de modo que o paciente jure aos seus deuses não cair em outra.”
As pessoas dentro da sala acreditavam que estávamos juntas e isto me deixou um tanto constrangida. Ela carregava consigo aquelas sacolinhas de supermercado, daquelas mesmo, que, quanto mais você tenta não fazer barulho, mais a sacola emite um ruído constante e insuportável. E a mulher não parava de mexer! Não faço idéia do que ela queria ali dentro, mas chegou a ponto das pessoas lançarem aquele “ssshhhh...” constrangedor. Quase mudei de lugar, joguei meu corpo o mais longe que pude da senhora (dentro dos limites da cadeira, lógico), franzi o cenho, fiz gestos de inconformidade sutis e enrubesci. Era o mínimo que podia fazer para disfarçar a minha vontade de sair correndo dali. E o filme seguia...
No ápice da trama, naquele momento crucial, quando as relações abstratas do filme se encontram , escuto um barulho estranho e recorrente. Evito olhar para o lado, mas minha curiosidade leva-me a espiar a “vizinha” incômoda: ela lixava as unhas! E não aquela lixadinha para desfazer um lascado e impedir que seu dedo saia junto com a unha. Não! Ela lixava dedo por dedo, punha a mão na boca, depois na perna e ainda procurava o melhor lugar, entre as luzes da tela, para enxergar o resultado de seu ímpeto manicure.
Não obstante, minha adjacente, findada a sessão de beleza, tenta abrir uma embalagem de bala depois, claro, de pegá-la dentro da sacolinha insuportável. E assim começava a saga para desenrolar o doce e esta parte eu dedico ao professor Ênio.
Por um lapso qualquer, ela resolveu não querer fazer barulho e abria bala por bala – sim, foram várias – vagarosamente. Aquele ruído estendia-se por toda a sala e, mais uma vez, os olhares voltaram-se para nós e, mais uma vez, eu quase morri de vergonha.
Comecei a achar que era conspiração. Ela devia ser prima, tia, cunhada, amiga, vizinha, comadre, conhecida-da-feira, sei lá, de uma certa pessoa. Aquilo fazia parte de um plano maquiavélico para me espezinhar. Com sotaque de JM, aqui vai minha indignação: não é possível!
De volta para casa, comecei a pensar nos artigos que Machado poderia escrever para os “freqüentadores de cinema”. Nem ouso pensar em fazer algo sequer próximo ao do mestre, mas, como diz o D., dada a configuração geral do sistema você-não-merece-ver-um-filme-tranqüila, não fica difícil estabelecer alguns artigos básicos.
Geral
Não tente não fazer barulho. Se você tenta não fazê-lo, é porque sabe que ele vai acontecer. Portanto, se for inevitável, faça-o de uma vez.
Artigo I
Das embalagens
§1 É terminantemente proibido entrar com “sacolinhas” de supermercado.
§2 Fica vedada toda tentativa de abrir qualquer tipo de embalagem. Quem quiser fazê-la, faça-a antes. Calcule exatamente quanto irá consumir para que não seja preciso guardar o restante em “sacolinhas” insuportáveis ou tenha que apanhar mais dentro da bolsa, iniciando a saga dos “abridores (in)discretos de embalagens”.
Artigo II
Das conversas
(emenda do artigo Dos amoladores)
Quem quiser auxílio psicológico procure o terapeuta mais próximo e depois do filme.
Artigo III
Da caracterização espacial
§1 Não se deve exercer nenhuma outra função dentro do espaço cinemático que não seja destinada, exclusivamente, para a boa apreciação da obra. Salvas atitudes que sejam necessidades humanas como flatulência (desde que não causem odor e o barulho não atrapalhe); sede e fome (dentro dos limites do artigo II); ir ao banheiro (recomendo não fazer folias digestivas antes do filme); chorar e rir discretamente.
§2 É vedada qualquer atividade como manicure, pedicure, auxiliar terapêutico, farmacêutico (pois é, há quem indique remédios no meio da sessão), observador impertinente – o tipo pseudo-crítico –, auto-promoção, entre outras que não sejam estritamente necessárias ao que está dado: assistir o filme.
Há muitas outras situações que podem ser debatidas nesta Constituinte do bom apreciador de filme em salas de cinema. Aqui estão só algumas sugestões resultantes da experiência de hoje. Aceito mais artigos, todos podem participar desta Assembléia.
Por fim, deu pra sacar que vocês se tornaram meus “vizinhos”? Estou de apartamento novo e meio perdida pelo mundo. Agora salvo tudo isso em disquete e vou, desesperadamente, amanhã, domingo, procurar uma lan para postar. É improvável que eu encontre dada minhas andanças de hoje, sábado, a tarde pelo centro de Campinas. Nhunft, termino meu post por aqui, antes que eu comece outro assunto como boa “vizinha”, no sentido Machadiano, claro, dizendo: “que calor!” e, no caso de hoje, “que chuva, não?”.
Beijos a todos!
Notem que destino incrível: estou sem Internet. Redijo este texto de meu proto-apartamento em Campinas. Faz tempo que não escrevo em primeira pessoa no meu blog. Ele está completamente abandonado, resultado, claro, dos contratempos e favortempos da vida. Porque ela não é só feita de “contra” mas também de “favor” e, no caso desta terra que habitamos, os dois sentidos mais evidentes de “favor” podem ser aplicados.
Bom, como dizia, me deu uma vontade incontrolável de reativar este blog, mas para os que quase nada acessam – eles, sim, sabem – esta vontade é tão fugaz quanto o jornal do dia. Sobre o destino incrível, óbvio, este desejo surgiu quando os meios de publicar este post imediatamente estavam inacessíveis. Pois, para quem, assim como eu, já teve diversos lapsos de jejum virtual, o reloginho girando das lanhouses não nos deixam nem um pouco confortáveis para escrever qualquer coisa que seja (a não ser, claro, um email desesperado, uma mensagem de saudades, um comentário infame, uma notícia importante, um convite para sair e por aí vai).
Falando em escrever, lembrei-me de leitura e, por conseguinte, de cinema. Não, não. Não pretendo dissertar sobre as relações estabelecidas entre estes elementos, elas se deram por conta da ironia ou coincidência ou sarcasmo (daqueles que nos fazem rir) dos acontecimentos cotidianos.
Hoje estava a ler Machado de Assis e deparei-me com uma crônica – pela qual sou muito grata, diverti-me pelo resto do dia – que compunha regras de conduta para os freqüentadores de bonde. E lá se estabeleciam dez artigos para os usuários deste meio de transporte. Convido-os a lerem. Claro que não passa nem perto dos melhores textos do autor, mas garante boas risadas.
Enfim, de volta ao “causo”: depois de me esbaldar com os artigos, fui ao cinema. Como é típico de minha pessoa, se não se estender à maioria dos brasileiros, estabeleci uma rápida conexão de proximidade com uma senhora que também esperava abrir o cinema (sim, ainda existe isso, de esperar pelo filme do lado de fora e não dentro de um shopping).
A conversa tomou um rumo tão inesperado que ela já me dava e pedia conselhos sobre relacionamentos e não parava de falar. Tive que ser um pouco grossa para que ela fosse educada (que coisa!) com o restante da sala e mantivesse silêncio. Não pude conter aquele meio sorriso de canto de boca, sabem? Ela acabava de infringir o artigo V.
Machado tratava de bonde, mas essa raça de “amoladores” está em todos os lugares, principalmente, nos públicos.
“Art. V – Dos amoladores
Toda a pessoa que sentir necessidade de contar os seus negócios íntimos, sem interesse para ninguém, deve primeiro indagar do passageiro escolhido para uma tal confidência, se ele é assaz cristão e resignado. No caso afirmativo, perguntar-se-lhe-á se prefere a narração ou uma descarga de pontapés. Sendo provável que ele prefira os pontapés, a pessoa deve imediatamente pespegá-los. No caso, aliás extraordinário e quase absurdo, de que o passageiro prefira a narração, o proponente deve fazê-la minuciosamente, carregando muito nas circunstâncias mais triviais, repelindo os ditos, pisando e repisando as coisas, de modo que o paciente jure aos seus deuses não cair em outra.”
As pessoas dentro da sala acreditavam que estávamos juntas e isto me deixou um tanto constrangida. Ela carregava consigo aquelas sacolinhas de supermercado, daquelas mesmo, que, quanto mais você tenta não fazer barulho, mais a sacola emite um ruído constante e insuportável. E a mulher não parava de mexer! Não faço idéia do que ela queria ali dentro, mas chegou a ponto das pessoas lançarem aquele “ssshhhh...” constrangedor. Quase mudei de lugar, joguei meu corpo o mais longe que pude da senhora (dentro dos limites da cadeira, lógico), franzi o cenho, fiz gestos de inconformidade sutis e enrubesci. Era o mínimo que podia fazer para disfarçar a minha vontade de sair correndo dali. E o filme seguia...
No ápice da trama, naquele momento crucial, quando as relações abstratas do filme se encontram , escuto um barulho estranho e recorrente. Evito olhar para o lado, mas minha curiosidade leva-me a espiar a “vizinha” incômoda: ela lixava as unhas! E não aquela lixadinha para desfazer um lascado e impedir que seu dedo saia junto com a unha. Não! Ela lixava dedo por dedo, punha a mão na boca, depois na perna e ainda procurava o melhor lugar, entre as luzes da tela, para enxergar o resultado de seu ímpeto manicure.
Não obstante, minha adjacente, findada a sessão de beleza, tenta abrir uma embalagem de bala depois, claro, de pegá-la dentro da sacolinha insuportável. E assim começava a saga para desenrolar o doce e esta parte eu dedico ao professor Ênio.
Por um lapso qualquer, ela resolveu não querer fazer barulho e abria bala por bala – sim, foram várias – vagarosamente. Aquele ruído estendia-se por toda a sala e, mais uma vez, os olhares voltaram-se para nós e, mais uma vez, eu quase morri de vergonha.
Comecei a achar que era conspiração. Ela devia ser prima, tia, cunhada, amiga, vizinha, comadre, conhecida-da-feira, sei lá, de uma certa pessoa. Aquilo fazia parte de um plano maquiavélico para me espezinhar. Com sotaque de JM, aqui vai minha indignação: não é possível!
De volta para casa, comecei a pensar nos artigos que Machado poderia escrever para os “freqüentadores de cinema”. Nem ouso pensar em fazer algo sequer próximo ao do mestre, mas, como diz o D., dada a configuração geral do sistema você-não-merece-ver-um-filme-tranqüila, não fica difícil estabelecer alguns artigos básicos.
Geral
Não tente não fazer barulho. Se você tenta não fazê-lo, é porque sabe que ele vai acontecer. Portanto, se for inevitável, faça-o de uma vez.
Artigo I
Das embalagens
§1 É terminantemente proibido entrar com “sacolinhas” de supermercado.
§2 Fica vedada toda tentativa de abrir qualquer tipo de embalagem. Quem quiser fazê-la, faça-a antes. Calcule exatamente quanto irá consumir para que não seja preciso guardar o restante em “sacolinhas” insuportáveis ou tenha que apanhar mais dentro da bolsa, iniciando a saga dos “abridores (in)discretos de embalagens”.
Artigo II
Das conversas
(emenda do artigo Dos amoladores)
Quem quiser auxílio psicológico procure o terapeuta mais próximo e depois do filme.
Artigo III
Da caracterização espacial
§1 Não se deve exercer nenhuma outra função dentro do espaço cinemático que não seja destinada, exclusivamente, para a boa apreciação da obra. Salvas atitudes que sejam necessidades humanas como flatulência (desde que não causem odor e o barulho não atrapalhe); sede e fome (dentro dos limites do artigo II); ir ao banheiro (recomendo não fazer folias digestivas antes do filme); chorar e rir discretamente.
§2 É vedada qualquer atividade como manicure, pedicure, auxiliar terapêutico, farmacêutico (pois é, há quem indique remédios no meio da sessão), observador impertinente – o tipo pseudo-crítico –, auto-promoção, entre outras que não sejam estritamente necessárias ao que está dado: assistir o filme.
Há muitas outras situações que podem ser debatidas nesta Constituinte do bom apreciador de filme em salas de cinema. Aqui estão só algumas sugestões resultantes da experiência de hoje. Aceito mais artigos, todos podem participar desta Assembléia.
Por fim, deu pra sacar que vocês se tornaram meus “vizinhos”? Estou de apartamento novo e meio perdida pelo mundo. Agora salvo tudo isso em disquete e vou, desesperadamente, amanhã, domingo, procurar uma lan para postar. É improvável que eu encontre dada minhas andanças de hoje, sábado, a tarde pelo centro de Campinas. Nhunft, termino meu post por aqui, antes que eu comece outro assunto como boa “vizinha”, no sentido Machadiano, claro, dizendo: “que calor!” e, no caso de hoje, “que chuva, não?”.
Beijos a todos!
segunda-feira, 20 de março de 2006
Nasce o Sol e não dura mais que um dia,
Depois da luz se segue a noite escura,
Em tristes sombras morre a formosura,
Em contínuas tristezas a alegria.
Porém se acaba o sol, porque nascia?
Se formosa a luz é, por que não dura?
Como a beleza assim se transfigura?
Como o gosto da pena assim se fia?
Mas no Sol, e na luz, falte a firmeza,
Na formosura não se dê constância,
E na alegria sinta-se tristeza.
Começa o mundo enfim pela ignorância,
E tem qualquer dos bens por natureza
A firmeza somente na inconstância.
Gregório de Mattos
Depois da luz se segue a noite escura,
Em tristes sombras morre a formosura,
Em contínuas tristezas a alegria.
Porém se acaba o sol, porque nascia?
Se formosa a luz é, por que não dura?
Como a beleza assim se transfigura?
Como o gosto da pena assim se fia?
Mas no Sol, e na luz, falte a firmeza,
Na formosura não se dê constância,
E na alegria sinta-se tristeza.
Começa o mundo enfim pela ignorância,
E tem qualquer dos bens por natureza
A firmeza somente na inconstância.
Gregório de Mattos
sexta-feira, 17 de março de 2006
-- Onde, filha?
-- Você não está vendo?
-- Você não está vendo?
-- Não... mas o que você vê?
-- Tá lá em cima, olha! Mãe, voando...
-- Me aponta a direção
-- Lá no céu, perto das estrelas
Na noite de Natal, em 1989, eu insistia em mostrar para minha mãe o trenó do Papai Noel voando pelo céu. Nossa sala tinha uma janela enorme, daquelas que vão até o chão e um sofá em frente. Enquanto meus pais arrumavam a ceia de Natal, eu subi no encosto do sofá e fiquei admirando o céu. Dei um sobressalto e chamei minha mãe. Ela não via nada, mas ficava impressionada como eu descrevia cada movimento da ilusão capitalista pelos céus de Paulínia.
Em tempo, assim como todo ser humano normal de sete anos, eu tinha noção que aquele rapaz gordo, vestido de vermelho, com uma barba de plástico, um gorro preso com elástico, numa roupa de frio, suando feito um copo de água gelada na praia de Copacabana, sentado o dia inteiro no shopping, carregando outros infantes no colo, não era o Papai Noel. Afinal, o comércio não ajuda a reforçar esta crença. É exigir demais da ingenuidade de uma criança que ela acredite em Papai Noel vendo um em cada esquina. Enquanto um distribui bala, o outro desce de helicóptero, o outro passa correndo na rua com uma mamãe Noel gostosa, o outro tira foto, o outro fica na porta da loja, gritando: “Ohohoho compre aqui”, sem esquecer daqueles gordos, suados, estagnados o dia inteiro dentro do shopping (muitos pequerruchos até se assustam, saem correndo e choram por causa de uma figura que era para ser adorada por elas).
Por outro lado, a força da imaginação de uma criança pode superar tudo isto, assim como eu acreditava piamente na existência de um Papai Noel praticamente inalcançável. E meus pais reforçavam isto. Meu pai não fazia aquela cena clássica, na qual o pai feliz, se veste para a criança feliz, para entregar o presente feliz, a mãe faz um comentário feliz e o filho finge acreditar feliz. A minha imaginação me fazia ver além do que a mídia, a propaganda, o comércio me empurravam. Papai Noel não significava presente caro do cara gordo, suado, estagnado e mal-humorado do shopping. Ele significava que, por algum esforço pessoal – seja lá qual fosse –, eu havia cumprido minha parte durante todo o ano e, portanto, vinha me dar a recompensa com uma visita.
E a fé nesta figura era tanta que eu era capaz de vê-lo, trazê-lo para minha realidade. Ou seja, todos os esforços da propaganda passavam ao meu lado, na TV ligada da minha sala. Enquanto eu, de costas para ela, entrava num estado de êxtase por ter visto o "bom velhinho" despedir-se de mim, lá do céu.
Ana Clara Ferrari
Ana Clara Ferrari
quarta-feira, 15 de março de 2006
segunda-feira, 13 de março de 2006
Para D.
Complexo Épico
Todo compositor brasileiro
é um complexado.
Por que então esta mania danada,
esta preocupação
de falar tão sério,
de parecer tão sério
de ser tão sério
de sorrir tão sério
de se chorar tão sério
de brincar tão sério
de amar tão sério?
Ai, meu Deus do céu,
vai ser sério assim no inferno!
Por que então esta metáfora-coringa
chamada "válida",
que não lhe sai da boca,
como se algum pesadelo
estivesse ameaçando os nossos compassos
com cadeiras de roda, roda, roda?
E por que então essa vontade
de parecer herói
ou professor universitário
(aquela tal classe
que ou passa a aprender com os
alunos
-- quer dizer, com a rua --
ou não vai sobreviver)?
Porque a cobra
já começou
a comer a si mesma pela cauda,
sendo ao mesmo tempo
a fome e a comida.
(Tom Zé)
Complexo Épico
Todo compositor brasileiro
é um complexado.
Por que então esta mania danada,
esta preocupação
de falar tão sério,
de parecer tão sério
de ser tão sério
de sorrir tão sério
de se chorar tão sério
de brincar tão sério
de amar tão sério?
Ai, meu Deus do céu,
vai ser sério assim no inferno!
Por que então esta metáfora-coringa
chamada "válida",
que não lhe sai da boca,
como se algum pesadelo
estivesse ameaçando os nossos compassos
com cadeiras de roda, roda, roda?
E por que então essa vontade
de parecer herói
ou professor universitário
(aquela tal classe
que ou passa a aprender com os
alunos
-- quer dizer, com a rua --
ou não vai sobreviver)?
Porque a cobra
já começou
a comer a si mesma pela cauda,
sendo ao mesmo tempo
a fome e a comida.
(Tom Zé)
quinta-feira, 9 de março de 2006
Getúlio no dia de Dom Pedro
Sete de setembro. Cheguei num carro de campanha política, todo adesivado, com “40” e “Hamilton” para todo lado. A casa ficava em cima de uma montanha e, quando apontei no estacionamento, o senhor já me esperava na porta. Silvio Lazarini, 85 anos, de família tradicional italiana e figura ilustre na cidade de Pedreira. O motorista já me avisa: “Este senhor é o orgulho da nossa cidade. Fez muita história aqui em Pedreira”.
A casa era antiga, mas muito bem conservada. Ele sentou na ponta de uma mesa enorme, na entrada da sala principal, e eu sentei ao lado.
“Eu falo, depois você anota”.
Dia 26 de agosto de 1954, Getúlio Vargas se suicidou. “É o que dizem. Não dava pra confiar muito”, afirmou Lazarini. “Estava capinando a roça. Agosto é mês de seca e eu mexia com esterco, estava preparando para depois umedecer e vender. Minha mãe, já falecida, veio lá de dentro e me avisou ‘o presidente morreu’. Fui lá, ouvi o rádio e depois voltei pra roça. A vida continuava.”.
Sr. Silvio acompanhou o noticiário pelo rádio. “Tinha TV naquela época? Bom, eu não tinha. Eu fui ter a primeira em 69”, afirma. Lazarini levantou foi até uma outra sala, depois voltou e disse: “Eu acho que Getúlio era um bom presidente. Ele foi ditador por muito tempo, mas depois teve voto direto e foi eleito. Isto é sinal de que ele era bom pro povo. O povo votou nele porque gostava dele”.
Silvio Lazarini foi eleito vereador em Pedreira por três vezes, entre 1968-1972, 1984-1990 e 1990-1994. “Quem era pra assumir era Jango...o Goulart, mas ele tava no estrangeiro. Naquela época, o vice era eleito separado do presidente. E ele não era da mesma chapa. Daí colocou o (...) não lembro quem veio depois, não sei se era presidente da Câmara, do Senado, era alguém de autoridade. Depois fizeram aquele governo (...) Como é o nome mesmo?”. Sr. Silvio olha para minhas anotações e fica pensativo. Depois de um tempo, dirige-se a mim: “ Tem presidencialismo...”, eu ajudo: “Parlamentarismo?!?”. “Isto, isto. Puseram isto lá. Não sei se tava certo ou errado, porque a gente era muito distante. Eu ouvia o rádio e acompanhava as notícias. Não mudou minha rotina. O que eu senti? Decepção. Era um bom presidente”.
Onze horas. De onde estávamos, dava para ouvir as comemorações do dia da Independência que passavam na televisão. Na cozinha ao lado, sua mulher já estava terminando o almoço.
O senhor declara: “Antigamente, a gente tinha muito mais civismo. O povo ia pra rua, hasteava a bandeira, cantava o hino. Hoje, nem isto. Tenho uma coisa para lhe mostrar”. Ele se levanta, vai até a mesma sala que se dirigiu anteriormente, volta com uma enorme pasta preta na mão, põe na mesa e fala para eu ler. Era uma pasta nova, com plástico e, dentro, havia diversas partituras. Começo a folhear e me deparo com a canção do imigrante italiano. Lazarini, orgulhoso, termina a entrevista: “Noi siam partiti da i nostri paesi. Noi siam partiti co i nostri onori (...) merica, merica, merica...”.
Sete de setembro. Cheguei num carro de campanha política, todo adesivado, com “40” e “Hamilton” para todo lado. A casa ficava em cima de uma montanha e, quando apontei no estacionamento, o senhor já me esperava na porta. Silvio Lazarini, 85 anos, de família tradicional italiana e figura ilustre na cidade de Pedreira. O motorista já me avisa: “Este senhor é o orgulho da nossa cidade. Fez muita história aqui em Pedreira”.
A casa era antiga, mas muito bem conservada. Ele sentou na ponta de uma mesa enorme, na entrada da sala principal, e eu sentei ao lado.
“Eu falo, depois você anota”.
Dia 26 de agosto de 1954, Getúlio Vargas se suicidou. “É o que dizem. Não dava pra confiar muito”, afirmou Lazarini. “Estava capinando a roça. Agosto é mês de seca e eu mexia com esterco, estava preparando para depois umedecer e vender. Minha mãe, já falecida, veio lá de dentro e me avisou ‘o presidente morreu’. Fui lá, ouvi o rádio e depois voltei pra roça. A vida continuava.”.
Sr. Silvio acompanhou o noticiário pelo rádio. “Tinha TV naquela época? Bom, eu não tinha. Eu fui ter a primeira em 69”, afirma. Lazarini levantou foi até uma outra sala, depois voltou e disse: “Eu acho que Getúlio era um bom presidente. Ele foi ditador por muito tempo, mas depois teve voto direto e foi eleito. Isto é sinal de que ele era bom pro povo. O povo votou nele porque gostava dele”.
Silvio Lazarini foi eleito vereador em Pedreira por três vezes, entre 1968-1972, 1984-1990 e 1990-1994. “Quem era pra assumir era Jango...o Goulart, mas ele tava no estrangeiro. Naquela época, o vice era eleito separado do presidente. E ele não era da mesma chapa. Daí colocou o (...) não lembro quem veio depois, não sei se era presidente da Câmara, do Senado, era alguém de autoridade. Depois fizeram aquele governo (...) Como é o nome mesmo?”. Sr. Silvio olha para minhas anotações e fica pensativo. Depois de um tempo, dirige-se a mim: “ Tem presidencialismo...”, eu ajudo: “Parlamentarismo?!?”. “Isto, isto. Puseram isto lá. Não sei se tava certo ou errado, porque a gente era muito distante. Eu ouvia o rádio e acompanhava as notícias. Não mudou minha rotina. O que eu senti? Decepção. Era um bom presidente”.
Onze horas. De onde estávamos, dava para ouvir as comemorações do dia da Independência que passavam na televisão. Na cozinha ao lado, sua mulher já estava terminando o almoço.
O senhor declara: “Antigamente, a gente tinha muito mais civismo. O povo ia pra rua, hasteava a bandeira, cantava o hino. Hoje, nem isto. Tenho uma coisa para lhe mostrar”. Ele se levanta, vai até a mesma sala que se dirigiu anteriormente, volta com uma enorme pasta preta na mão, põe na mesa e fala para eu ler. Era uma pasta nova, com plástico e, dentro, havia diversas partituras. Começo a folhear e me deparo com a canção do imigrante italiano. Lazarini, orgulhoso, termina a entrevista: “Noi siam partiti da i nostri paesi. Noi siam partiti co i nostri onori (...) merica, merica, merica...”.
quarta-feira, 22 de fevereiro de 2006
Um dia de clichês
Chá para o estômago: 20 centavos
Internet o dia inteiro: 30 reais
Cansaço, sono, mal-estar: não tem preço.
Mais vale um dia de trabalho na mão do que dois dias doentes voando...
Homeopatia mole, alopatia dura... tanto engole que até atura
Remédio dado não se olha o gosto (sinestésico mesmo)
Nem tudo que tem bula funciona.
Quem desdenha, quer ficar de cama.
Vão-se os dias, ficam as olheiras.
Doente que fica de cama, deveria ter cem anos de saúde garantida.
Tal namorado, tal namorada.
Chá para o estômago: 20 centavos
Internet o dia inteiro: 30 reais
Cansaço, sono, mal-estar: não tem preço.
Mais vale um dia de trabalho na mão do que dois dias doentes voando...
Homeopatia mole, alopatia dura... tanto engole que até atura
Remédio dado não se olha o gosto (sinestésico mesmo)
Nem tudo que tem bula funciona.
Quem desdenha, quer ficar de cama.
Vão-se os dias, ficam as olheiras.
Doente que fica de cama, deveria ter cem anos de saúde garantida.
Tal namorado, tal namorada.
sexta-feira, 10 de fevereiro de 2006
domingo, 29 de janeiro de 2006

Passeando pelos blogs...
Solidão não é a falta de gente para conversar, namorar, passear ou fazer sexo... isto é carência. Solidão não é o sentimento que experimentamos pela ausência de entes queridos que não podem mais voltar... isto é saudade. Solidão não é o retiro voluntário que a gente se impõe as vezes, para realinhar os pensamentos... isto é equilíbrio. Solidão não é o vazio de gente ao nosso lado... isto é circunstância. Solidão é muito mais que isto... Solidão é quando nos perdemos de nós mesmos e procuramos, em vão, pela nossa Alma!
Kadidja Thais Menezes da Rocha (www.caindonareal.blog-se.com.br)
quarta-feira, 25 de janeiro de 2006
sexta-feira, 13 de janeiro de 2006
Se minha vida fosse resumida em duas semanas, teria muita história para contar.Na minha modesta opinião, a vida é feita de quantas perguntas você já fez para ela. Que graça teria se não tivéssemos tantas perguntas a responder? Isto é sinal de que alguma coisa acontece e isto me deixa, de certo modo, feliz.Precisaria de muito espaço para colocar todas as questões com as quais me deparei nos últimos tempos. E, não sei se por força da tão proclamada sociedade capitalista em que vivemos ou pela busca de superação da minha própria astúcia, tento respondê-las todas rapidamente. Não demora muito e logo me deparo com novas dúvidas.Indícios de envelhecimento, enlouquecimento ou amadurecimento à parte, isto me dá um certo prazer momentâneo. A possibilidade de buscar respostas rápidas e o surgimento de novas indagações me fazem caminhar pelos cantos mais obscuros da minha mente e, melhor ainda, carregando um feixe de luz pelos seus labirintos. Não resolve todos os problemas (óbvio para mim e triste para Freud), mas a construção do crepúsculo, se bem contextualizado, torna o ambiente muito mais interessante. E é neste universo que se encontram minhas idéias misturadas, lógico, com meu desejo de obter controle das coisas e de tomar decisões, ou seja, o local da onde saem as respostas. Dadas estas colocações, dá para imaginar quantas soluções absurdas, bizarras e inesperadas já saíram daqui da meia-luz de minha mente?!?Não. Acho que não. Se bobear, eu tirei até crocodilo achando que era formiga. E girafa jurando que era um elefante. Não tem problema. Afinal, nem sempre tudo, graças a Deus, não dá certo. Respostas essencialíssimas (eita que eu peguei essa mania de superlativíssimo) não saem nem acendendo um holofote: O que eu estou fazendo no blog com um TCC inteiro para fazer?Aff...
segunda-feira, 26 de dezembro de 2005
Porque eu sou do interior
E a cidade é grande e as luzes são muitas.
Prédios altos?!
Não são barreiras para minhas idéias.
E elas sobem, sobem, sobem
Atravessam a cortina cinzenta sobre mim
E param num lugar pior do que qualquer outra coisa:
Mente em branco.
Tudo que passa nela se esvai pelo ar.
Tanto esforço e cheguei numa página em branco.
O editor do livro da minha vida deve tê-la esquecido
ou a impressora das minhas viagens deve ter puxado uma folha a mais.
Porque tinta, arquivo e idéias não faltam.
Pelo contrário, tem muita coisa pendente.
Deve ser São Paulo.
Esta cidade ainda me abre muitas janelas e, às vezes, desorganiza o processo.
Aproveitei a folha em branco para escrever no meu blog.
Viu como tudo faz sentido?
E a cidade é grande e as luzes são muitas.
Prédios altos?!
Não são barreiras para minhas idéias.
E elas sobem, sobem, sobem
Atravessam a cortina cinzenta sobre mim
E param num lugar pior do que qualquer outra coisa:
Mente em branco.
Tudo que passa nela se esvai pelo ar.
Tanto esforço e cheguei numa página em branco.
O editor do livro da minha vida deve tê-la esquecido
ou a impressora das minhas viagens deve ter puxado uma folha a mais.
Porque tinta, arquivo e idéias não faltam.
Pelo contrário, tem muita coisa pendente.
Deve ser São Paulo.
Esta cidade ainda me abre muitas janelas e, às vezes, desorganiza o processo.
Aproveitei a folha em branco para escrever no meu blog.
Viu como tudo faz sentido?
quarta-feira, 20 de julho de 2005
Tradução tosca para uma música tosca que a tosca aqui às vezes fica ouvindo.
The days pass slowly
The night say to me you wont´t come back
the furnitures enter in chaos
I run the world and I can't reach you
Without you my radio is mute
my tv is uncolor
my guitar plays no sound
without my body doesn't reflect more in the mirror
my house fall down
without you I lost the ground
So accept me like I am
Don't ask me to change
these crazes that you've already pardoned
My life is going on
I am trying to disguise
But I'll leave the badroom's door open
case you want come back
Nota: Fiz com minhas próprias mãos (?!?), portanto alguns trechos não estão literalmente traduzidos e outros estão literais demais... heheheh... devo confessar que meu inglês não está lá muito bom...
ah! Se vc ainda está perdido... é uma música brasileira que eu passei para o inglês (falta do que fazer) e ainda tenho muitas outras... (ai que vergonha)
The days pass slowly
The night say to me you wont´t come back
the furnitures enter in chaos
I run the world and I can't reach you
Without you my radio is mute
my tv is uncolor
my guitar plays no sound
without my body doesn't reflect more in the mirror
my house fall down
without you I lost the ground
So accept me like I am
Don't ask me to change
these crazes that you've already pardoned
My life is going on
I am trying to disguise
But I'll leave the badroom's door open
case you want come back
Nota: Fiz com minhas próprias mãos (?!?), portanto alguns trechos não estão literalmente traduzidos e outros estão literais demais... heheheh... devo confessar que meu inglês não está lá muito bom...
ah! Se vc ainda está perdido... é uma música brasileira que eu passei para o inglês (falta do que fazer) e ainda tenho muitas outras... (ai que vergonha)
quinta-feira, 14 de julho de 2005
A saga de um gênio incompreendido/incompreensível
(aventuras de um amigou meu)
Reza a lenda que ele nunca beijou. Tem 25 anos (margem de erro: 1 ano para baixo ou para cima). Ouve música japonesa. Era "A" promessa no começo do ano. Tem uma imaginação fértil. Capacidade de organizar o pensamento: zero. Um amor de pessoa. Um ser estranho de pessoa. É uma pessoa. Físico em miniatura (nada que um Biotônico Fontoura não resolva). Seu nome? Não importa. Meu faro Freudiano me diz que ele teve algum trauma sério na infância.
Olhando por fora, reúne todas as qualidades para caracterizá-lo como CDF-convicto: magrinho, baixinho, japonês e de óculos. E, ele é CDF. OOoohhh... não se surpreendam, às vezes o stereotipo serve para alguma coisa.
Agora, imaginem vocês, ele fazendo apresentação de dança japonesa , coreografando crianças de 12 anos, brincando e rolando pelo chão com elas. Não! Não! Deixem o stereotipo de lado agora, ele não é gay! OOOOooohhh... fazem vocês! E eu digo... não, ele não é (com quase 4 anos de Campinas, posso dizer que sou pós-graduada na matéria "Será que ele é?").
Alguém aí já ouviu falar daquele famoso texto de Charles Chaplin que deveríamos nascer velhos e ir voltando, voltando até terminar numa gozada? Pois então... acredito que é isto que ele está fazendo. Por isto o declaro gênio da própria alma. Ele encontrou a infância dele agora, está vivendo a própria adolescência agora. Vocês me perguntam: Com 25 anos? Eu digo sim. E o que ele fez com a infância e a adolescência? Viveu como adulto. Estudou, estudou, estudou (não disse que era CDF?), cumpriu "responsabilidades" (da idade) com a disciplina de um pai com uma casa e cinco filhos pra cuidar, fez Kumon, Inglês, passou na Unicamp direto, "pensou" no futuro... e hoje ele vive em outro mundo.
Ok! Na nossa sociedade, isto é completamente recriminado, não tem nem o que discutir. Não teria coragem de fazer isso, apesar das minhas eternas crises nostálgicas e do meu jeito "alegre" e "infantil" de ser. Afinal ser gênio não significa fazer as coisas certas, mas, sim, incompreensíveis.
Agora, onde fica o amadurecimento? Não sei... procura aí... no meu bolso é que não está.
Enquanto isto...
Ana Clara e Daniela morrem, choram e se esguelam de tanto rir ao descobrir a saga de dança japonesa deste amigo. Agora, o que elas estavam fazendo? Reunidas com a Luciana e se descabelando por causa do TCC. Pois é... estamos indo no caminho de todos: amadurecendo e envelhecendo.
(aventuras de um amigou meu)
Reza a lenda que ele nunca beijou. Tem 25 anos (margem de erro: 1 ano para baixo ou para cima). Ouve música japonesa. Era "A" promessa no começo do ano. Tem uma imaginação fértil. Capacidade de organizar o pensamento: zero. Um amor de pessoa. Um ser estranho de pessoa. É uma pessoa. Físico em miniatura (nada que um Biotônico Fontoura não resolva). Seu nome? Não importa. Meu faro Freudiano me diz que ele teve algum trauma sério na infância.
Olhando por fora, reúne todas as qualidades para caracterizá-lo como CDF-convicto: magrinho, baixinho, japonês e de óculos. E, ele é CDF. OOoohhh... não se surpreendam, às vezes o stereotipo serve para alguma coisa.
Agora, imaginem vocês, ele fazendo apresentação de dança japonesa , coreografando crianças de 12 anos, brincando e rolando pelo chão com elas. Não! Não! Deixem o stereotipo de lado agora, ele não é gay! OOOOooohhh... fazem vocês! E eu digo... não, ele não é (com quase 4 anos de Campinas, posso dizer que sou pós-graduada na matéria "Será que ele é?").
Alguém aí já ouviu falar daquele famoso texto de Charles Chaplin que deveríamos nascer velhos e ir voltando, voltando até terminar numa gozada? Pois então... acredito que é isto que ele está fazendo. Por isto o declaro gênio da própria alma. Ele encontrou a infância dele agora, está vivendo a própria adolescência agora. Vocês me perguntam: Com 25 anos? Eu digo sim. E o que ele fez com a infância e a adolescência? Viveu como adulto. Estudou, estudou, estudou (não disse que era CDF?), cumpriu "responsabilidades" (da idade) com a disciplina de um pai com uma casa e cinco filhos pra cuidar, fez Kumon, Inglês, passou na Unicamp direto, "pensou" no futuro... e hoje ele vive em outro mundo.
Ok! Na nossa sociedade, isto é completamente recriminado, não tem nem o que discutir. Não teria coragem de fazer isso, apesar das minhas eternas crises nostálgicas e do meu jeito "alegre" e "infantil" de ser. Afinal ser gênio não significa fazer as coisas certas, mas, sim, incompreensíveis.
Agora, onde fica o amadurecimento? Não sei... procura aí... no meu bolso é que não está.
Enquanto isto...
Ana Clara e Daniela morrem, choram e se esguelam de tanto rir ao descobrir a saga de dança japonesa deste amigo. Agora, o que elas estavam fazendo? Reunidas com a Luciana e se descabelando por causa do TCC. Pois é... estamos indo no caminho de todos: amadurecendo e envelhecendo.
terça-feira, 12 de julho de 2005
Hey, blogueiros de plantão estou de volta!
Agradeçam ao esforço inaudito do Thiaum para me colocar de volta ao mundo dos blogs.
Cansados desta vida de MSN, Orkut, mas não consegue se livrar dela? Junte-se à nossa comuni... ops... acho que isto pega...
1- Devo confessar que o motivo pelo qual REALMENTE estou de volta foi o post do thiaum (estou sem o link dele agora, já já coloco). Portanto, comentem se sentirem vontade!
2- Sinto muita falta de escrever algo que vá além do: \o//, vc, pq, c, axu, =), =(, =D, =O, ^^, ¬¬, etc
3- Isto aqui não é o Diário Oficial da vida da Ana Clara! Não esperem encontrar nenhuma grande revelação sobre minha vida apenas breves reflexões de uma mente insana perdida numa sociedade moderna.
4- Se eu escrever coisa sobre política, não sou esnobe.
5- Se eu escrever coisa inútil, não sou superficial.
6- Se eu escrever coisa sentimental, não fui eu quem escrevi.
7- Se quiser saber como eu sou, me liga, manda email, scrap, pergunta pra minha mãe, se vira!
8- Inevitável deixar de escrever sobre nossas experiências de vida, mas não faça de fragmentos motivo para julgamentos.
Bom, considerados estes ítens se divirtam!!
Me divirto e rio sozinha escrevendo!! Ai ai ai... um dia vou ser escritora!!
Bjos a todos
Agradeçam ao esforço inaudito do Thiaum para me colocar de volta ao mundo dos blogs.
Cansados desta vida de MSN, Orkut, mas não consegue se livrar dela? Junte-se à nossa comuni... ops... acho que isto pega...
1- Devo confessar que o motivo pelo qual REALMENTE estou de volta foi o post do thiaum (estou sem o link dele agora, já já coloco). Portanto, comentem se sentirem vontade!
2- Sinto muita falta de escrever algo que vá além do: \o//, vc, pq, c, axu, =), =(, =D, =O, ^^, ¬¬, etc
3- Isto aqui não é o Diário Oficial da vida da Ana Clara! Não esperem encontrar nenhuma grande revelação sobre minha vida apenas breves reflexões de uma mente insana perdida numa sociedade moderna.
4- Se eu escrever coisa sobre política, não sou esnobe.
5- Se eu escrever coisa inútil, não sou superficial.
6- Se eu escrever coisa sentimental, não fui eu quem escrevi.
7- Se quiser saber como eu sou, me liga, manda email, scrap, pergunta pra minha mãe, se vira!
8- Inevitável deixar de escrever sobre nossas experiências de vida, mas não faça de fragmentos motivo para julgamentos.
Bom, considerados estes ítens se divirtam!!
Me divirto e rio sozinha escrevendo!! Ai ai ai... um dia vou ser escritora!!
Bjos a todos
segunda-feira, 14 de junho de 2004
segunda-feira, 8 de março de 2004
OK! Só pra dizer que eu não abandonei meu blog, aqui está mais um post!!!! Depois de muito tempo!!! Eu só não arrumo minha "vida cibernética" porque não tenho tempo! E quando estou de férias, não tenho computador pra ficar sentada arrumando! Porém, contudo, entretanto, por causa deste negócio de eleições, na casa de mamãe (Pedreira) pode ser que tenha um pc com internet... daí sim, podem ter certeza que volta tudo ao normal! Porém, entretanto, contudo, todavia, o jornal Ferrari voltará reformatado, com outros objetivos, de cara nova e, quem sabe, uma "revista eletrônica" mais útil??? Beijos Crisss!!!
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