Passei o fim de semana em Lorena. Não visitei muita gente, mas não existe nada melhor que rever os amigos depois de tanto tempo. Trata-se do mesmo princípio de satisfação de beber água quando estamos com sede; comer quando estamos com fome; dormir quando estamos com sono; ou seja, coisas que parecem banais, mas são essenciais e, quando damos falta, passa a ganhar prioridade.
Não importa a quantidade, mas a qualidade (digo isto porque há uns três, quatro anos eu não seguia impreterivelmente esta lógica). E me sinto privilegiada, pois, no meu caso, as duas coisas andam praticamente juntas. Quando digo quantidade serve tanto para o número de pessoas, quanto para o tanto de tempo dispensado ao lado delas.
Viagem
(e entenda um pouco do Brasil, ou dos brasileiros, ou de uma brasileira, ou de tudo, ou de nada)
Nota: minha poltrona era a quatro, ao lado do motorista.
Lorena
Quase perco.
Guará
Rodoviária lotada. Não tinha lugar para estacionar.
Dez minutos. Quinze. Vinte.
-- Motorista, ali!
-- Obrigado
Tsccchhhhiiiiii. Tsssccchhiii.
Uma caminhonete particular estacionada exatamente no lugar do ônibus: dentro da plataforma.
As pessoas embarcam no meio do pátio.
Aparecida
Esterco por toda a única e principal avenida cujo acesso era para a rodoviária. Descobre-se: Congada. Tudo parado. Cavalo, criança, moto, pipoqueiro, carroça, camelô e quatro metros de largura têm a rua.
-- Moço, o senhor é daqui?
-- Sim.
-- Se eu virar aqui, chegamos na rodoviária?
-- Não sei.
-- Alguém sabe? Moça, moço, por favor.
-- Não sei, não, dona.
-- Motorista, vira. Depois a gente vê.
Quarenta minutos: três quarteirões. Uma carriola na rua. Quatro ônibus manobram, ao mesmo tempo, para desviar. Rodoviária. Transtorno. Todos querem entrar. Ninguém quer esperar o próximo.
Dutra
Motorista quase Kill Bill e os passageiros. Meu ônibus alcança o outro que saiu uma hora depois da gente, do mesmo lugar.
Taubaté
Mais pessoas. Pouco lugar.
-- Não tem espaço pra todo mundo.
-- Como assim, motorista?
-- Têm que esperar o outro.
-- Mas estamos aqui há quase uma hora.
-- Atrasamos em Aparecida. O outro está vindo. Agora não sei quem pegar: quem é das quatro ou das quatro e meia.
Discussão. Vinte minutos.
-- Dá licença, gente. Motorista, o senhor tem que embarcar quem é das quatro. Se você saiu antes do outro em Lorena, provavelmente, seus passageiros são de quem é mais cedo. Óbvio, não?!
-- Como assim? Fiquei em dúvida. Não estou certo. E se eu coloco e dá problema?
-- Não vai dar. As passagens foram vendidas por computador, olha. E, geralmente, não ocorre ter duas passagens para a mesma poltrona. Se o senhor saiu mais cedo, é claro que você vai embarcar quem é do horário anterior, não?!
-- É... você tem razão. Hey, gente!!! Aqui só aceito passagem para às quatro!! Quatro e meia é no outro!!
Meia hora.
Duas mulheres:
-- Motorista, temos o mesmo número de poltrona.
-- Como assim?
-- As duas são onze.
-- Ai, meu Deus. Comissário, por favor.
-- Pois, não.
-- Elas têm um problema no número da poltrona.
-- Deixa eu ver...Este é o número da plataforma, sua poltrona é três, aqui na frente.
-- Ai, é mesmo! Ai, motorista, desculpa. [...] Oi, moça, posso sentar? Ai que vergonha, confundi tudo.
-- Claro. Fica calma, acontece. Já fiz isto.
-- Você é daqui?...
Dutra-Dom Pedro
Blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá
Blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá
Blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá
Blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá
Blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá
Blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá
Blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá
Blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá
Blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá
Blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá
Blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá
Blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá
Blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá
Campinas
Blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá
Blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá
Blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá
Blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá blá
-- Você vai gostar de Campinas. Quando precisar, pode ficar em casa.
-- Obrigada! Qual seu orkut?
:\\\\
Humpf. Um dia ainda acabo com isto.
Rodoviária
Fila enorme: sai da estação e ocupa todo o quarteirão (da Barão de Itapura ou, pelo menos, o que seria continuação dela).
Um ser atrás de mim:
-- Meu Deus, que fila é essa??
-- Olha, querido, não sei. Só espero que não seja do banheiro. Estou apertadíssima.
-- Hahahah. Acho que está vendendo ingresso pra algum super show que não estou sabendo.
-- Hahahah. Creio que não. Campinas não tem super shows e venda de ingresso na rodoviária, na volta de um feriado, só se for pegadinha.
-- Heheheh, verdade. Será que é fila do guichê pra São Paulo?
-- Acho que não. SP tem ônibus de cinco em cinco minutos.
Desembarque.
Sim, a fila era para comprar passagem rumo à capital. Fiquei abismada.
Se Campinas estava assim, imagina São Paulo.
Tsc, tsc...
C'est Brasil.
quarta-feira, 26 de abril de 2006
quarta-feira, 19 de abril de 2006
Aviso de jornalista e para jornalistas:
Assunto: Festa na Belezinha
Ae galera!!
Em comemoração ao níver da Belezinha e ao seu apartamento novo e seu casamento com o filósofo, venho convidar a todos para um rega-bofe na casa dela, nessa quinta-feira!!
Ela avisa que só tem um sofá, 4 banquetas e uma cadeira - ou seja, cheguem cedo ou vão ficar de pé! Ah, e é pra levar cerveja!! Vamos todos!! =]
Ela mora na Rua Professor Sílvio Rosa, ops!, Professor Luís Rosa, XX, ap XX. Às 20h, ok??
Beijo do Deco =]
P.S. Cabeção, ela disse que é pra vc ir e que vc pode dormir lá...
As informações contidas são de inteira responsabilidade do autor (Deco Ribeiro).
Alguns dados foram omitidos para manter a privacidade da anfitriã.
Quanto ao casamento... Hay que endurecer, pero sin perder la ternura jamás
Fala sério!
Assunto: Festa na Belezinha
Ae galera!!
Em comemoração ao níver da Belezinha e ao seu apartamento novo e seu casamento com o filósofo, venho convidar a todos para um rega-bofe na casa dela, nessa quinta-feira!!
Ela avisa que só tem um sofá, 4 banquetas e uma cadeira - ou seja, cheguem cedo ou vão ficar de pé! Ah, e é pra levar cerveja!! Vamos todos!! =]
Ela mora na Rua Professor Sílvio Rosa, ops!, Professor Luís Rosa, XX, ap XX. Às 20h, ok??
Beijo do Deco =]
P.S. Cabeção, ela disse que é pra vc ir e que vc pode dormir lá...
As informações contidas são de inteira responsabilidade do autor (Deco Ribeiro).
Alguns dados foram omitidos para manter a privacidade da anfitriã.
Quanto ao casamento... Hay que endurecer, pero sin perder la ternura jamás
Fala sério!
Meu objetivo não era dissertar sobre o passado, mesmo que fosse o mais próximo. No entanto, as pessoas costumam ser tão iguais: as atitudes, as falas, os gestos, enfim, de tudo isso não surgiu um assunto interessante para ser tratado ainda esta semana.
Nossa, estou impressionada com a minha, digamos, cara de pau. Vou ser sincera de uma vez, até que ouvi uns diálogos simpáticos sobre como proceder depois de fazer uma cesária, o que seria do mundo se não fosse a ultrasonografia, uma história de amor, e, ah, me lembrei de um fato revoltante: meu dvd se recusou terminantemente a rodar os três minutos finais do filme “O nome da Rosa”. Fiquei com aquele sentimento de “ahn? E...?”. Whatever, a questão é a seguinte: eu quero falar sobre o passado e ponto. E, entre um ônibus e outro, uma coisa perdida e outra, me recordei de uma balada que eu fui um mês atrás.
A intenção do programa era se divertir. Não havia, para mim e minha amiga, o propósito de flertar, mostrar o cabelo novo, a roupa nova, encontrar com alguém, o plano era: beber (no meu caso, não muito), dançar e conversar (agora, sim, muito). Colocados nestes termos, fica mais fácil entender porque, na linguagem dos meus contemporâneos, “perdi meu tempo pensando” sobre isto.
Há tempos não sabia o que era comprar ingresso, enfrentar fila, calcular consumação, mostrar RG (sim, ainda preciso disto), ser revistada, topar com gente bêbada logo à meia-noite, entre outras coisas. Senti-me alheia a tudo aquilo e, (re)criada esta distância, passei a observar melhor os comportamentos. Como de perto ninguém é normal, de longe menos ainda e, pior, é igual. Bom, se ser normal é ser igual, desfaço terminantemente esta conjectura sobre a queda de normalidade à longa distância.
Entramos na balada. Reconhecimento territorial. Parada estratégica. Indagação: “Por que a luz está acesa?”. Não, não é para te enxergar melhor, chapeuzinho vermelho. Pois é, a decoração e as paredes eram brancas e o local estava totalmente iluminado. Não havia aquele clima de balada, luzes apagadas, globos coloridos piscando, fumacinha para todo lado, a não ser pelas pessoas igualmente “bem-arrumadas”. E a festa continua...
Entre um gole e outro minha amiga vai falando: aquele é fulano, aquele é ciclano, este trabalha aqui, aquele trabalha acolá. Num súbito, eu e ela ficamos paradas sem dançar, sem conversar, só olhando e a inconformidade: o que significa isto?
Parecia uma festa na casa de algum “boyzinho” conhecido. Aquela falsa idéia de que todo mundo se conhece, soltando largos risinhos uns para os outros (afinal todos se viam); de tempo em tempo, para eles, era necessário mostrar indiferença também, deviam acreditar que, agindo assim, aproximavam-se de alguma atitude “aristocrática”; bastava concentrar a atenção por cinco minutos e você descobria quem ficou com quem, quem é amigo de quem e os “tipos” da balada tais como o galinha, o cafajeste, o tímido, o perdido, o babaca e o bêbado; a posição dos copos e do cigarro nas mãos era idêntica; parecia que uma festa na casa da Barbie tinha criado vida; e aquela luz monótona e uniforme acesa... Para quê? Dê-me uma boa razão que não inclua os burguesinhos de classe média mostrar-se uns aos outros. Pode falar que eu refuto. Qualquer outro motivo para aquilo, com certeza, passa pelo filtro da exibição, principal característica do alcance de status.
Quem ousou puxar conversa comigo, não se deu muito bem. Fingi-me de estrangeira, era assim que me sentia. Não tinha a mínima vontade de conversar com quem quer que fosse. Inútil, a decepção foi ainda maior: a perplexidade das pessoas com a minha pseudonacionalidade fizeram-nas mais ridículas do que pareciam. Tudo isto me incomodou profundamente, tanto por eles quanto por nós que estávamos incluídas neste joguete social. Fiquei o resto da balada pensando e não me conformei comigo, nem com eles, nem com a minha atitude passiva, nem com a deles. Resultado: saí com aquela sensação de vazio no estômago, aquela dificuldade de engolir qualquer coisa e a cabeça fervendo (olha que eu não estava de porre).
Comentário antes de desligar o computador e dormir:
Estava na cantina da faculdade e vi um mega-cartaz, com dizeres em mega-letras e um mega-desenho, que incitava os alunos a irem para uma mega-festa, num mega-lugar, certamente, com pessoas mega-legais. Ora essa, para se informar sobre uma palestra, um evento cultural, um grupo de estudos, uma disciplina alternativa, uma oficina, uma aula extra de línguas, temos que caçar entre as parcas folhas A4, impressas em preto e branco, distribuídas aleatoriamente e não em todos os cursos, penduradas nos murais em meio aos avisos específicos, às grades de horário e penduricalhos dos alunos. É mole? Como observou aquaman: na Unicamp, são estudantes; na Facamp, são alunos. Quanto ao mega, a aula magna fica por conta de JM com o termo “Big”, que dá no mesmo.
Nossa, estou impressionada com a minha, digamos, cara de pau. Vou ser sincera de uma vez, até que ouvi uns diálogos simpáticos sobre como proceder depois de fazer uma cesária, o que seria do mundo se não fosse a ultrasonografia, uma história de amor, e, ah, me lembrei de um fato revoltante: meu dvd se recusou terminantemente a rodar os três minutos finais do filme “O nome da Rosa”. Fiquei com aquele sentimento de “ahn? E...?”. Whatever, a questão é a seguinte: eu quero falar sobre o passado e ponto. E, entre um ônibus e outro, uma coisa perdida e outra, me recordei de uma balada que eu fui um mês atrás.
A intenção do programa era se divertir. Não havia, para mim e minha amiga, o propósito de flertar, mostrar o cabelo novo, a roupa nova, encontrar com alguém, o plano era: beber (no meu caso, não muito), dançar e conversar (agora, sim, muito). Colocados nestes termos, fica mais fácil entender porque, na linguagem dos meus contemporâneos, “perdi meu tempo pensando” sobre isto.
Há tempos não sabia o que era comprar ingresso, enfrentar fila, calcular consumação, mostrar RG (sim, ainda preciso disto), ser revistada, topar com gente bêbada logo à meia-noite, entre outras coisas. Senti-me alheia a tudo aquilo e, (re)criada esta distância, passei a observar melhor os comportamentos. Como de perto ninguém é normal, de longe menos ainda e, pior, é igual. Bom, se ser normal é ser igual, desfaço terminantemente esta conjectura sobre a queda de normalidade à longa distância.
Entramos na balada. Reconhecimento territorial. Parada estratégica. Indagação: “Por que a luz está acesa?”. Não, não é para te enxergar melhor, chapeuzinho vermelho. Pois é, a decoração e as paredes eram brancas e o local estava totalmente iluminado. Não havia aquele clima de balada, luzes apagadas, globos coloridos piscando, fumacinha para todo lado, a não ser pelas pessoas igualmente “bem-arrumadas”. E a festa continua...
Entre um gole e outro minha amiga vai falando: aquele é fulano, aquele é ciclano, este trabalha aqui, aquele trabalha acolá. Num súbito, eu e ela ficamos paradas sem dançar, sem conversar, só olhando e a inconformidade: o que significa isto?
Parecia uma festa na casa de algum “boyzinho” conhecido. Aquela falsa idéia de que todo mundo se conhece, soltando largos risinhos uns para os outros (afinal todos se viam); de tempo em tempo, para eles, era necessário mostrar indiferença também, deviam acreditar que, agindo assim, aproximavam-se de alguma atitude “aristocrática”; bastava concentrar a atenção por cinco minutos e você descobria quem ficou com quem, quem é amigo de quem e os “tipos” da balada tais como o galinha, o cafajeste, o tímido, o perdido, o babaca e o bêbado; a posição dos copos e do cigarro nas mãos era idêntica; parecia que uma festa na casa da Barbie tinha criado vida; e aquela luz monótona e uniforme acesa... Para quê? Dê-me uma boa razão que não inclua os burguesinhos de classe média mostrar-se uns aos outros. Pode falar que eu refuto. Qualquer outro motivo para aquilo, com certeza, passa pelo filtro da exibição, principal característica do alcance de status.
Quem ousou puxar conversa comigo, não se deu muito bem. Fingi-me de estrangeira, era assim que me sentia. Não tinha a mínima vontade de conversar com quem quer que fosse. Inútil, a decepção foi ainda maior: a perplexidade das pessoas com a minha pseudonacionalidade fizeram-nas mais ridículas do que pareciam. Tudo isto me incomodou profundamente, tanto por eles quanto por nós que estávamos incluídas neste joguete social. Fiquei o resto da balada pensando e não me conformei comigo, nem com eles, nem com a minha atitude passiva, nem com a deles. Resultado: saí com aquela sensação de vazio no estômago, aquela dificuldade de engolir qualquer coisa e a cabeça fervendo (olha que eu não estava de porre).
Comentário antes de desligar o computador e dormir:
Estava na cantina da faculdade e vi um mega-cartaz, com dizeres em mega-letras e um mega-desenho, que incitava os alunos a irem para uma mega-festa, num mega-lugar, certamente, com pessoas mega-legais. Ora essa, para se informar sobre uma palestra, um evento cultural, um grupo de estudos, uma disciplina alternativa, uma oficina, uma aula extra de línguas, temos que caçar entre as parcas folhas A4, impressas em preto e branco, distribuídas aleatoriamente e não em todos os cursos, penduradas nos murais em meio aos avisos específicos, às grades de horário e penduricalhos dos alunos. É mole? Como observou aquaman: na Unicamp, são estudantes; na Facamp, são alunos. Quanto ao mega, a aula magna fica por conta de JM com o termo “Big”, que dá no mesmo.
segunda-feira, 17 de abril de 2006
Hoje é meu aniversário.
Grande coisa, recebi um parabéns que não incluísse minha mãe, meu pai e meu namorado. Não esperava uma festa glamourousa, flores pela casa, helicóptero no céu do meu apartamento, nada. Só queria algo além do orkut, essa porra que substitui qualquer contato mais "pessoal" e ainda te expõe sob os olhares vigilantes dos(as) invejosos(as) e fofoqueiros(as). E os últimos ainda usam isto para te difamar, extrema falta do que fazer. Revolta. Este é o nome do meu dia.
Uma carta me ganharia facilmente. É isto, uma carta. À mão, claro. Com a letra... uhn... não importa qual fosse, mas legível, para eu ler pausada e incessantemente, linha por linha. Melhor seria se fosse pelo correio para ter aquela sensação maravilhosa: a gaveta de correio cheia, o selo, o carimbo, o nome do remetente, do destinatário, a curiosidade de quem viu a carta chegar, o elevador, as chaves jogadas, o sofá, a abertura e nada de cartão, de desenhinho, de votos prontos de felicidade e sucesso, só o texto vivo. O serviço de correio não chegou em tamanha eficiência e qualquer carta enviada hoje chegaria, sei lá, quarta ou quinta-feira. Mas confesso que ainda tenho esperança de receber uma: "em mãos".
É o que me resta e o dia ainda não chegou ao fim e o carteiro também não.
Grande coisa, recebi um parabéns que não incluísse minha mãe, meu pai e meu namorado. Não esperava uma festa glamourousa, flores pela casa, helicóptero no céu do meu apartamento, nada. Só queria algo além do orkut, essa porra que substitui qualquer contato mais "pessoal" e ainda te expõe sob os olhares vigilantes dos(as) invejosos(as) e fofoqueiros(as). E os últimos ainda usam isto para te difamar, extrema falta do que fazer. Revolta. Este é o nome do meu dia.
Uma carta me ganharia facilmente. É isto, uma carta. À mão, claro. Com a letra... uhn... não importa qual fosse, mas legível, para eu ler pausada e incessantemente, linha por linha. Melhor seria se fosse pelo correio para ter aquela sensação maravilhosa: a gaveta de correio cheia, o selo, o carimbo, o nome do remetente, do destinatário, a curiosidade de quem viu a carta chegar, o elevador, as chaves jogadas, o sofá, a abertura e nada de cartão, de desenhinho, de votos prontos de felicidade e sucesso, só o texto vivo. O serviço de correio não chegou em tamanha eficiência e qualquer carta enviada hoje chegaria, sei lá, quarta ou quinta-feira. Mas confesso que ainda tenho esperança de receber uma: "em mãos".
É o que me resta e o dia ainda não chegou ao fim e o carteiro também não.
Se todo mundo, supostamente, sabe que gosto não se discute, porque isto ainda é critério para avaliar/julgar alguém? Muita gente já escreveu sobre isto, muita gente concorda, discorda, não tem opinião sobre isto, enfim, dane-se, estou revoltada. Nós somos a somatória de nossos gostos? Há quem multiplique, ou seja, quem faça dos gostos impostos a própria encarnação da personalidade. E, sendo assim, torna-se uma falsa pessoa, no sentido de que se apropria de gostos alheios e/ou construídos (por vários motivos sejam eles quais forem) e acredita, a partir daí, ter criado um espectro imenso sob o qual pode se sustentar tudo o que a compõe como indivíduo dentro de uma sociedade. Então é isso? É assim que funciona? Que porra é essa?
Dentro de somatória, pode entrar todos os tipos de caracterização possível, uma massa difusa, massa condensada, rede vasta, malha de interesses, qualquer coisa que una. União. Outra coisa que eu não entendo, dentro disto tudo. De alguma forma, a partir de seus critérios de gosto ou o que alguém acredita sê-lo, você encontra seu espaço, ou melhor, te empurram, te delimitam e te impõe seu espaço e, se você não estiver satisfeito, cale-se, porque você não sabe do que está falando. Sabe por que? Simples, uniram tudo que achavam que era critério de julgamento e pimba! Toma, seu lugar é este. Mas gosto muda, não muda? Quem nunca se fartou de comer algo e hoje tem asco pelo alimento? Ou ouviu aquela música até os ouvidos detectarem a primeira nota num raio de 10 quilômetros e martela irritantemente sobre a sua cabeça? Não aguenta mais ver aquela estampa, inicialmente, linda da camiseta? Não vou me perder por aqui. Se muda, as pessoas mudam. Até aí, absolutamente nada de novo. E os espaços? Não, eles não mudam, quem faz isso são as pessoas. Ou será que eles mudam também? Porque eles são formados de pessoas, e se elas mudam, tudo muda. E a união? Entra na dança? E como ela faz isto sem se transformar em desunião? Então espera aí. Nesse emaranhado de mudanças, seu "espaço" é delimitado assim: zás e foi. Num determinado momento, não sei como, uniram tudo (e olha que estamos falando de gosto em diversos campos), delimitaram o seu espaço e voilá, "bem-vindo", ou "mal-vindo" se descobrirem alguma coisa que não se encaixe e daí, fora! Reorganização constante dos espaços. Ou seria, desorganização? Minha cabeça está fervendo. E nesta constante babel de mudanças de pessoas, gostos e espaços umas julgam as outras. Afinal, que porra é esta?
Dentro de somatória, pode entrar todos os tipos de caracterização possível, uma massa difusa, massa condensada, rede vasta, malha de interesses, qualquer coisa que una. União. Outra coisa que eu não entendo, dentro disto tudo. De alguma forma, a partir de seus critérios de gosto ou o que alguém acredita sê-lo, você encontra seu espaço, ou melhor, te empurram, te delimitam e te impõe seu espaço e, se você não estiver satisfeito, cale-se, porque você não sabe do que está falando. Sabe por que? Simples, uniram tudo que achavam que era critério de julgamento e pimba! Toma, seu lugar é este. Mas gosto muda, não muda? Quem nunca se fartou de comer algo e hoje tem asco pelo alimento? Ou ouviu aquela música até os ouvidos detectarem a primeira nota num raio de 10 quilômetros e martela irritantemente sobre a sua cabeça? Não aguenta mais ver aquela estampa, inicialmente, linda da camiseta? Não vou me perder por aqui. Se muda, as pessoas mudam. Até aí, absolutamente nada de novo. E os espaços? Não, eles não mudam, quem faz isso são as pessoas. Ou será que eles mudam também? Porque eles são formados de pessoas, e se elas mudam, tudo muda. E a união? Entra na dança? E como ela faz isto sem se transformar em desunião? Então espera aí. Nesse emaranhado de mudanças, seu "espaço" é delimitado assim: zás e foi. Num determinado momento, não sei como, uniram tudo (e olha que estamos falando de gosto em diversos campos), delimitaram o seu espaço e voilá, "bem-vindo", ou "mal-vindo" se descobrirem alguma coisa que não se encaixe e daí, fora! Reorganização constante dos espaços. Ou seria, desorganização? Minha cabeça está fervendo. E nesta constante babel de mudanças de pessoas, gostos e espaços umas julgam as outras. Afinal, que porra é esta?
terça-feira, 4 de abril de 2006
Esta história já deve ser conhecida, mas a ouvi pela primeira vez ontem.
No fim do século XIX, uma burguesa, filha de um grande industrial, letrada e muito inteligente saiu para andar pela cidade. Durante sua caminhada, começou a ver a realidade de perto e voltou para casa com grandes idéias esquerdistas.
-- Pai! É preciso mudar isto! Você explora seus trabalhadores, as condições de vida são miseráveis, eles não têm dignidade. É preciso diminuir a carga horária, aumentar os salários, distribuir os lucros...
O industrial ouve tudo pacientemente e, depois da exposição das idéias revolucionárias da filha, responde.
-- Filha, quanto você tirou na última prova?
-- Nove.
-- A prova foi difícil, não foi? Você estudou, se esforçou...
-- Sim, papai, e muito.
-- E aquela sua amiga que não faz nada? Que só quer saber de curtir a vida, bebe, sai? Quanto ela tirou?
-- Ah, três...
-- Então, por que você não faz o seguinte: transfere três pontos da sua nota para ela. Ficam as duas com seis de média e passam de ano...
-- Ah, não! Mas nem morta... até parece!!
-- Bem-vinda à direita.
=\\\\
No fim do século XIX, uma burguesa, filha de um grande industrial, letrada e muito inteligente saiu para andar pela cidade. Durante sua caminhada, começou a ver a realidade de perto e voltou para casa com grandes idéias esquerdistas.
-- Pai! É preciso mudar isto! Você explora seus trabalhadores, as condições de vida são miseráveis, eles não têm dignidade. É preciso diminuir a carga horária, aumentar os salários, distribuir os lucros...
O industrial ouve tudo pacientemente e, depois da exposição das idéias revolucionárias da filha, responde.
-- Filha, quanto você tirou na última prova?
-- Nove.
-- A prova foi difícil, não foi? Você estudou, se esforçou...
-- Sim, papai, e muito.
-- E aquela sua amiga que não faz nada? Que só quer saber de curtir a vida, bebe, sai? Quanto ela tirou?
-- Ah, três...
-- Então, por que você não faz o seguinte: transfere três pontos da sua nota para ela. Ficam as duas com seis de média e passam de ano...
-- Ah, não! Mas nem morta... até parece!!
-- Bem-vinda à direita.
=\\\\
segunda-feira, 27 de março de 2006
Bom dia, leitores (vocês ainda existem?)
Notem que destino incrível: estou sem Internet. Redijo este texto de meu proto-apartamento em Campinas. Faz tempo que não escrevo em primeira pessoa no meu blog. Ele está completamente abandonado, resultado, claro, dos contratempos e favortempos da vida. Porque ela não é só feita de “contra” mas também de “favor” e, no caso desta terra que habitamos, os dois sentidos mais evidentes de “favor” podem ser aplicados.
Bom, como dizia, me deu uma vontade incontrolável de reativar este blog, mas para os que quase nada acessam – eles, sim, sabem – esta vontade é tão fugaz quanto o jornal do dia. Sobre o destino incrível, óbvio, este desejo surgiu quando os meios de publicar este post imediatamente estavam inacessíveis. Pois, para quem, assim como eu, já teve diversos lapsos de jejum virtual, o reloginho girando das lanhouses não nos deixam nem um pouco confortáveis para escrever qualquer coisa que seja (a não ser, claro, um email desesperado, uma mensagem de saudades, um comentário infame, uma notícia importante, um convite para sair e por aí vai).
Falando em escrever, lembrei-me de leitura e, por conseguinte, de cinema. Não, não. Não pretendo dissertar sobre as relações estabelecidas entre estes elementos, elas se deram por conta da ironia ou coincidência ou sarcasmo (daqueles que nos fazem rir) dos acontecimentos cotidianos.
Hoje estava a ler Machado de Assis e deparei-me com uma crônica – pela qual sou muito grata, diverti-me pelo resto do dia – que compunha regras de conduta para os freqüentadores de bonde. E lá se estabeleciam dez artigos para os usuários deste meio de transporte. Convido-os a lerem. Claro que não passa nem perto dos melhores textos do autor, mas garante boas risadas.
Enfim, de volta ao “causo”: depois de me esbaldar com os artigos, fui ao cinema. Como é típico de minha pessoa, se não se estender à maioria dos brasileiros, estabeleci uma rápida conexão de proximidade com uma senhora que também esperava abrir o cinema (sim, ainda existe isso, de esperar pelo filme do lado de fora e não dentro de um shopping).
A conversa tomou um rumo tão inesperado que ela já me dava e pedia conselhos sobre relacionamentos e não parava de falar. Tive que ser um pouco grossa para que ela fosse educada (que coisa!) com o restante da sala e mantivesse silêncio. Não pude conter aquele meio sorriso de canto de boca, sabem? Ela acabava de infringir o artigo V.
Machado tratava de bonde, mas essa raça de “amoladores” está em todos os lugares, principalmente, nos públicos.
“Art. V – Dos amoladores
Toda a pessoa que sentir necessidade de contar os seus negócios íntimos, sem interesse para ninguém, deve primeiro indagar do passageiro escolhido para uma tal confidência, se ele é assaz cristão e resignado. No caso afirmativo, perguntar-se-lhe-á se prefere a narração ou uma descarga de pontapés. Sendo provável que ele prefira os pontapés, a pessoa deve imediatamente pespegá-los. No caso, aliás extraordinário e quase absurdo, de que o passageiro prefira a narração, o proponente deve fazê-la minuciosamente, carregando muito nas circunstâncias mais triviais, repelindo os ditos, pisando e repisando as coisas, de modo que o paciente jure aos seus deuses não cair em outra.”
As pessoas dentro da sala acreditavam que estávamos juntas e isto me deixou um tanto constrangida. Ela carregava consigo aquelas sacolinhas de supermercado, daquelas mesmo, que, quanto mais você tenta não fazer barulho, mais a sacola emite um ruído constante e insuportável. E a mulher não parava de mexer! Não faço idéia do que ela queria ali dentro, mas chegou a ponto das pessoas lançarem aquele “ssshhhh...” constrangedor. Quase mudei de lugar, joguei meu corpo o mais longe que pude da senhora (dentro dos limites da cadeira, lógico), franzi o cenho, fiz gestos de inconformidade sutis e enrubesci. Era o mínimo que podia fazer para disfarçar a minha vontade de sair correndo dali. E o filme seguia...
No ápice da trama, naquele momento crucial, quando as relações abstratas do filme se encontram , escuto um barulho estranho e recorrente. Evito olhar para o lado, mas minha curiosidade leva-me a espiar a “vizinha” incômoda: ela lixava as unhas! E não aquela lixadinha para desfazer um lascado e impedir que seu dedo saia junto com a unha. Não! Ela lixava dedo por dedo, punha a mão na boca, depois na perna e ainda procurava o melhor lugar, entre as luzes da tela, para enxergar o resultado de seu ímpeto manicure.
Não obstante, minha adjacente, findada a sessão de beleza, tenta abrir uma embalagem de bala depois, claro, de pegá-la dentro da sacolinha insuportável. E assim começava a saga para desenrolar o doce e esta parte eu dedico ao professor Ênio.
Por um lapso qualquer, ela resolveu não querer fazer barulho e abria bala por bala – sim, foram várias – vagarosamente. Aquele ruído estendia-se por toda a sala e, mais uma vez, os olhares voltaram-se para nós e, mais uma vez, eu quase morri de vergonha.
Comecei a achar que era conspiração. Ela devia ser prima, tia, cunhada, amiga, vizinha, comadre, conhecida-da-feira, sei lá, de uma certa pessoa. Aquilo fazia parte de um plano maquiavélico para me espezinhar. Com sotaque de JM, aqui vai minha indignação: não é possível!
De volta para casa, comecei a pensar nos artigos que Machado poderia escrever para os “freqüentadores de cinema”. Nem ouso pensar em fazer algo sequer próximo ao do mestre, mas, como diz o D., dada a configuração geral do sistema você-não-merece-ver-um-filme-tranqüila, não fica difícil estabelecer alguns artigos básicos.
Geral
Não tente não fazer barulho. Se você tenta não fazê-lo, é porque sabe que ele vai acontecer. Portanto, se for inevitável, faça-o de uma vez.
Artigo I
Das embalagens
§1 É terminantemente proibido entrar com “sacolinhas” de supermercado.
§2 Fica vedada toda tentativa de abrir qualquer tipo de embalagem. Quem quiser fazê-la, faça-a antes. Calcule exatamente quanto irá consumir para que não seja preciso guardar o restante em “sacolinhas” insuportáveis ou tenha que apanhar mais dentro da bolsa, iniciando a saga dos “abridores (in)discretos de embalagens”.
Artigo II
Das conversas
(emenda do artigo Dos amoladores)
Quem quiser auxílio psicológico procure o terapeuta mais próximo e depois do filme.
Artigo III
Da caracterização espacial
§1 Não se deve exercer nenhuma outra função dentro do espaço cinemático que não seja destinada, exclusivamente, para a boa apreciação da obra. Salvas atitudes que sejam necessidades humanas como flatulência (desde que não causem odor e o barulho não atrapalhe); sede e fome (dentro dos limites do artigo II); ir ao banheiro (recomendo não fazer folias digestivas antes do filme); chorar e rir discretamente.
§2 É vedada qualquer atividade como manicure, pedicure, auxiliar terapêutico, farmacêutico (pois é, há quem indique remédios no meio da sessão), observador impertinente – o tipo pseudo-crítico –, auto-promoção, entre outras que não sejam estritamente necessárias ao que está dado: assistir o filme.
Há muitas outras situações que podem ser debatidas nesta Constituinte do bom apreciador de filme em salas de cinema. Aqui estão só algumas sugestões resultantes da experiência de hoje. Aceito mais artigos, todos podem participar desta Assembléia.
Por fim, deu pra sacar que vocês se tornaram meus “vizinhos”? Estou de apartamento novo e meio perdida pelo mundo. Agora salvo tudo isso em disquete e vou, desesperadamente, amanhã, domingo, procurar uma lan para postar. É improvável que eu encontre dada minhas andanças de hoje, sábado, a tarde pelo centro de Campinas. Nhunft, termino meu post por aqui, antes que eu comece outro assunto como boa “vizinha”, no sentido Machadiano, claro, dizendo: “que calor!” e, no caso de hoje, “que chuva, não?”.
Beijos a todos!
Notem que destino incrível: estou sem Internet. Redijo este texto de meu proto-apartamento em Campinas. Faz tempo que não escrevo em primeira pessoa no meu blog. Ele está completamente abandonado, resultado, claro, dos contratempos e favortempos da vida. Porque ela não é só feita de “contra” mas também de “favor” e, no caso desta terra que habitamos, os dois sentidos mais evidentes de “favor” podem ser aplicados.
Bom, como dizia, me deu uma vontade incontrolável de reativar este blog, mas para os que quase nada acessam – eles, sim, sabem – esta vontade é tão fugaz quanto o jornal do dia. Sobre o destino incrível, óbvio, este desejo surgiu quando os meios de publicar este post imediatamente estavam inacessíveis. Pois, para quem, assim como eu, já teve diversos lapsos de jejum virtual, o reloginho girando das lanhouses não nos deixam nem um pouco confortáveis para escrever qualquer coisa que seja (a não ser, claro, um email desesperado, uma mensagem de saudades, um comentário infame, uma notícia importante, um convite para sair e por aí vai).
Falando em escrever, lembrei-me de leitura e, por conseguinte, de cinema. Não, não. Não pretendo dissertar sobre as relações estabelecidas entre estes elementos, elas se deram por conta da ironia ou coincidência ou sarcasmo (daqueles que nos fazem rir) dos acontecimentos cotidianos.
Hoje estava a ler Machado de Assis e deparei-me com uma crônica – pela qual sou muito grata, diverti-me pelo resto do dia – que compunha regras de conduta para os freqüentadores de bonde. E lá se estabeleciam dez artigos para os usuários deste meio de transporte. Convido-os a lerem. Claro que não passa nem perto dos melhores textos do autor, mas garante boas risadas.
Enfim, de volta ao “causo”: depois de me esbaldar com os artigos, fui ao cinema. Como é típico de minha pessoa, se não se estender à maioria dos brasileiros, estabeleci uma rápida conexão de proximidade com uma senhora que também esperava abrir o cinema (sim, ainda existe isso, de esperar pelo filme do lado de fora e não dentro de um shopping).
A conversa tomou um rumo tão inesperado que ela já me dava e pedia conselhos sobre relacionamentos e não parava de falar. Tive que ser um pouco grossa para que ela fosse educada (que coisa!) com o restante da sala e mantivesse silêncio. Não pude conter aquele meio sorriso de canto de boca, sabem? Ela acabava de infringir o artigo V.
Machado tratava de bonde, mas essa raça de “amoladores” está em todos os lugares, principalmente, nos públicos.
“Art. V – Dos amoladores
Toda a pessoa que sentir necessidade de contar os seus negócios íntimos, sem interesse para ninguém, deve primeiro indagar do passageiro escolhido para uma tal confidência, se ele é assaz cristão e resignado. No caso afirmativo, perguntar-se-lhe-á se prefere a narração ou uma descarga de pontapés. Sendo provável que ele prefira os pontapés, a pessoa deve imediatamente pespegá-los. No caso, aliás extraordinário e quase absurdo, de que o passageiro prefira a narração, o proponente deve fazê-la minuciosamente, carregando muito nas circunstâncias mais triviais, repelindo os ditos, pisando e repisando as coisas, de modo que o paciente jure aos seus deuses não cair em outra.”
As pessoas dentro da sala acreditavam que estávamos juntas e isto me deixou um tanto constrangida. Ela carregava consigo aquelas sacolinhas de supermercado, daquelas mesmo, que, quanto mais você tenta não fazer barulho, mais a sacola emite um ruído constante e insuportável. E a mulher não parava de mexer! Não faço idéia do que ela queria ali dentro, mas chegou a ponto das pessoas lançarem aquele “ssshhhh...” constrangedor. Quase mudei de lugar, joguei meu corpo o mais longe que pude da senhora (dentro dos limites da cadeira, lógico), franzi o cenho, fiz gestos de inconformidade sutis e enrubesci. Era o mínimo que podia fazer para disfarçar a minha vontade de sair correndo dali. E o filme seguia...
No ápice da trama, naquele momento crucial, quando as relações abstratas do filme se encontram , escuto um barulho estranho e recorrente. Evito olhar para o lado, mas minha curiosidade leva-me a espiar a “vizinha” incômoda: ela lixava as unhas! E não aquela lixadinha para desfazer um lascado e impedir que seu dedo saia junto com a unha. Não! Ela lixava dedo por dedo, punha a mão na boca, depois na perna e ainda procurava o melhor lugar, entre as luzes da tela, para enxergar o resultado de seu ímpeto manicure.
Não obstante, minha adjacente, findada a sessão de beleza, tenta abrir uma embalagem de bala depois, claro, de pegá-la dentro da sacolinha insuportável. E assim começava a saga para desenrolar o doce e esta parte eu dedico ao professor Ênio.
Por um lapso qualquer, ela resolveu não querer fazer barulho e abria bala por bala – sim, foram várias – vagarosamente. Aquele ruído estendia-se por toda a sala e, mais uma vez, os olhares voltaram-se para nós e, mais uma vez, eu quase morri de vergonha.
Comecei a achar que era conspiração. Ela devia ser prima, tia, cunhada, amiga, vizinha, comadre, conhecida-da-feira, sei lá, de uma certa pessoa. Aquilo fazia parte de um plano maquiavélico para me espezinhar. Com sotaque de JM, aqui vai minha indignação: não é possível!
De volta para casa, comecei a pensar nos artigos que Machado poderia escrever para os “freqüentadores de cinema”. Nem ouso pensar em fazer algo sequer próximo ao do mestre, mas, como diz o D., dada a configuração geral do sistema você-não-merece-ver-um-filme-tranqüila, não fica difícil estabelecer alguns artigos básicos.
Geral
Não tente não fazer barulho. Se você tenta não fazê-lo, é porque sabe que ele vai acontecer. Portanto, se for inevitável, faça-o de uma vez.
Artigo I
Das embalagens
§1 É terminantemente proibido entrar com “sacolinhas” de supermercado.
§2 Fica vedada toda tentativa de abrir qualquer tipo de embalagem. Quem quiser fazê-la, faça-a antes. Calcule exatamente quanto irá consumir para que não seja preciso guardar o restante em “sacolinhas” insuportáveis ou tenha que apanhar mais dentro da bolsa, iniciando a saga dos “abridores (in)discretos de embalagens”.
Artigo II
Das conversas
(emenda do artigo Dos amoladores)
Quem quiser auxílio psicológico procure o terapeuta mais próximo e depois do filme.
Artigo III
Da caracterização espacial
§1 Não se deve exercer nenhuma outra função dentro do espaço cinemático que não seja destinada, exclusivamente, para a boa apreciação da obra. Salvas atitudes que sejam necessidades humanas como flatulência (desde que não causem odor e o barulho não atrapalhe); sede e fome (dentro dos limites do artigo II); ir ao banheiro (recomendo não fazer folias digestivas antes do filme); chorar e rir discretamente.
§2 É vedada qualquer atividade como manicure, pedicure, auxiliar terapêutico, farmacêutico (pois é, há quem indique remédios no meio da sessão), observador impertinente – o tipo pseudo-crítico –, auto-promoção, entre outras que não sejam estritamente necessárias ao que está dado: assistir o filme.
Há muitas outras situações que podem ser debatidas nesta Constituinte do bom apreciador de filme em salas de cinema. Aqui estão só algumas sugestões resultantes da experiência de hoje. Aceito mais artigos, todos podem participar desta Assembléia.
Por fim, deu pra sacar que vocês se tornaram meus “vizinhos”? Estou de apartamento novo e meio perdida pelo mundo. Agora salvo tudo isso em disquete e vou, desesperadamente, amanhã, domingo, procurar uma lan para postar. É improvável que eu encontre dada minhas andanças de hoje, sábado, a tarde pelo centro de Campinas. Nhunft, termino meu post por aqui, antes que eu comece outro assunto como boa “vizinha”, no sentido Machadiano, claro, dizendo: “que calor!” e, no caso de hoje, “que chuva, não?”.
Beijos a todos!
segunda-feira, 20 de março de 2006
Nasce o Sol e não dura mais que um dia,
Depois da luz se segue a noite escura,
Em tristes sombras morre a formosura,
Em contínuas tristezas a alegria.
Porém se acaba o sol, porque nascia?
Se formosa a luz é, por que não dura?
Como a beleza assim se transfigura?
Como o gosto da pena assim se fia?
Mas no Sol, e na luz, falte a firmeza,
Na formosura não se dê constância,
E na alegria sinta-se tristeza.
Começa o mundo enfim pela ignorância,
E tem qualquer dos bens por natureza
A firmeza somente na inconstância.
Gregório de Mattos
Depois da luz se segue a noite escura,
Em tristes sombras morre a formosura,
Em contínuas tristezas a alegria.
Porém se acaba o sol, porque nascia?
Se formosa a luz é, por que não dura?
Como a beleza assim se transfigura?
Como o gosto da pena assim se fia?
Mas no Sol, e na luz, falte a firmeza,
Na formosura não se dê constância,
E na alegria sinta-se tristeza.
Começa o mundo enfim pela ignorância,
E tem qualquer dos bens por natureza
A firmeza somente na inconstância.
Gregório de Mattos
sexta-feira, 17 de março de 2006
-- Onde, filha?
-- Você não está vendo?
-- Você não está vendo?
-- Não... mas o que você vê?
-- Tá lá em cima, olha! Mãe, voando...
-- Me aponta a direção
-- Lá no céu, perto das estrelas
Na noite de Natal, em 1989, eu insistia em mostrar para minha mãe o trenó do Papai Noel voando pelo céu. Nossa sala tinha uma janela enorme, daquelas que vão até o chão e um sofá em frente. Enquanto meus pais arrumavam a ceia de Natal, eu subi no encosto do sofá e fiquei admirando o céu. Dei um sobressalto e chamei minha mãe. Ela não via nada, mas ficava impressionada como eu descrevia cada movimento da ilusão capitalista pelos céus de Paulínia.
Em tempo, assim como todo ser humano normal de sete anos, eu tinha noção que aquele rapaz gordo, vestido de vermelho, com uma barba de plástico, um gorro preso com elástico, numa roupa de frio, suando feito um copo de água gelada na praia de Copacabana, sentado o dia inteiro no shopping, carregando outros infantes no colo, não era o Papai Noel. Afinal, o comércio não ajuda a reforçar esta crença. É exigir demais da ingenuidade de uma criança que ela acredite em Papai Noel vendo um em cada esquina. Enquanto um distribui bala, o outro desce de helicóptero, o outro passa correndo na rua com uma mamãe Noel gostosa, o outro tira foto, o outro fica na porta da loja, gritando: “Ohohoho compre aqui”, sem esquecer daqueles gordos, suados, estagnados o dia inteiro dentro do shopping (muitos pequerruchos até se assustam, saem correndo e choram por causa de uma figura que era para ser adorada por elas).
Por outro lado, a força da imaginação de uma criança pode superar tudo isto, assim como eu acreditava piamente na existência de um Papai Noel praticamente inalcançável. E meus pais reforçavam isto. Meu pai não fazia aquela cena clássica, na qual o pai feliz, se veste para a criança feliz, para entregar o presente feliz, a mãe faz um comentário feliz e o filho finge acreditar feliz. A minha imaginação me fazia ver além do que a mídia, a propaganda, o comércio me empurravam. Papai Noel não significava presente caro do cara gordo, suado, estagnado e mal-humorado do shopping. Ele significava que, por algum esforço pessoal – seja lá qual fosse –, eu havia cumprido minha parte durante todo o ano e, portanto, vinha me dar a recompensa com uma visita.
E a fé nesta figura era tanta que eu era capaz de vê-lo, trazê-lo para minha realidade. Ou seja, todos os esforços da propaganda passavam ao meu lado, na TV ligada da minha sala. Enquanto eu, de costas para ela, entrava num estado de êxtase por ter visto o "bom velhinho" despedir-se de mim, lá do céu.
Ana Clara Ferrari
Ana Clara Ferrari
quarta-feira, 15 de março de 2006
segunda-feira, 13 de março de 2006
Para D.
Complexo Épico
Todo compositor brasileiro
é um complexado.
Por que então esta mania danada,
esta preocupação
de falar tão sério,
de parecer tão sério
de ser tão sério
de sorrir tão sério
de se chorar tão sério
de brincar tão sério
de amar tão sério?
Ai, meu Deus do céu,
vai ser sério assim no inferno!
Por que então esta metáfora-coringa
chamada "válida",
que não lhe sai da boca,
como se algum pesadelo
estivesse ameaçando os nossos compassos
com cadeiras de roda, roda, roda?
E por que então essa vontade
de parecer herói
ou professor universitário
(aquela tal classe
que ou passa a aprender com os
alunos
-- quer dizer, com a rua --
ou não vai sobreviver)?
Porque a cobra
já começou
a comer a si mesma pela cauda,
sendo ao mesmo tempo
a fome e a comida.
(Tom Zé)
Complexo Épico
Todo compositor brasileiro
é um complexado.
Por que então esta mania danada,
esta preocupação
de falar tão sério,
de parecer tão sério
de ser tão sério
de sorrir tão sério
de se chorar tão sério
de brincar tão sério
de amar tão sério?
Ai, meu Deus do céu,
vai ser sério assim no inferno!
Por que então esta metáfora-coringa
chamada "válida",
que não lhe sai da boca,
como se algum pesadelo
estivesse ameaçando os nossos compassos
com cadeiras de roda, roda, roda?
E por que então essa vontade
de parecer herói
ou professor universitário
(aquela tal classe
que ou passa a aprender com os
alunos
-- quer dizer, com a rua --
ou não vai sobreviver)?
Porque a cobra
já começou
a comer a si mesma pela cauda,
sendo ao mesmo tempo
a fome e a comida.
(Tom Zé)
quinta-feira, 9 de março de 2006
Getúlio no dia de Dom Pedro
Sete de setembro. Cheguei num carro de campanha política, todo adesivado, com “40” e “Hamilton” para todo lado. A casa ficava em cima de uma montanha e, quando apontei no estacionamento, o senhor já me esperava na porta. Silvio Lazarini, 85 anos, de família tradicional italiana e figura ilustre na cidade de Pedreira. O motorista já me avisa: “Este senhor é o orgulho da nossa cidade. Fez muita história aqui em Pedreira”.
A casa era antiga, mas muito bem conservada. Ele sentou na ponta de uma mesa enorme, na entrada da sala principal, e eu sentei ao lado.
“Eu falo, depois você anota”.
Dia 26 de agosto de 1954, Getúlio Vargas se suicidou. “É o que dizem. Não dava pra confiar muito”, afirmou Lazarini. “Estava capinando a roça. Agosto é mês de seca e eu mexia com esterco, estava preparando para depois umedecer e vender. Minha mãe, já falecida, veio lá de dentro e me avisou ‘o presidente morreu’. Fui lá, ouvi o rádio e depois voltei pra roça. A vida continuava.”.
Sr. Silvio acompanhou o noticiário pelo rádio. “Tinha TV naquela época? Bom, eu não tinha. Eu fui ter a primeira em 69”, afirma. Lazarini levantou foi até uma outra sala, depois voltou e disse: “Eu acho que Getúlio era um bom presidente. Ele foi ditador por muito tempo, mas depois teve voto direto e foi eleito. Isto é sinal de que ele era bom pro povo. O povo votou nele porque gostava dele”.
Silvio Lazarini foi eleito vereador em Pedreira por três vezes, entre 1968-1972, 1984-1990 e 1990-1994. “Quem era pra assumir era Jango...o Goulart, mas ele tava no estrangeiro. Naquela época, o vice era eleito separado do presidente. E ele não era da mesma chapa. Daí colocou o (...) não lembro quem veio depois, não sei se era presidente da Câmara, do Senado, era alguém de autoridade. Depois fizeram aquele governo (...) Como é o nome mesmo?”. Sr. Silvio olha para minhas anotações e fica pensativo. Depois de um tempo, dirige-se a mim: “ Tem presidencialismo...”, eu ajudo: “Parlamentarismo?!?”. “Isto, isto. Puseram isto lá. Não sei se tava certo ou errado, porque a gente era muito distante. Eu ouvia o rádio e acompanhava as notícias. Não mudou minha rotina. O que eu senti? Decepção. Era um bom presidente”.
Onze horas. De onde estávamos, dava para ouvir as comemorações do dia da Independência que passavam na televisão. Na cozinha ao lado, sua mulher já estava terminando o almoço.
O senhor declara: “Antigamente, a gente tinha muito mais civismo. O povo ia pra rua, hasteava a bandeira, cantava o hino. Hoje, nem isto. Tenho uma coisa para lhe mostrar”. Ele se levanta, vai até a mesma sala que se dirigiu anteriormente, volta com uma enorme pasta preta na mão, põe na mesa e fala para eu ler. Era uma pasta nova, com plástico e, dentro, havia diversas partituras. Começo a folhear e me deparo com a canção do imigrante italiano. Lazarini, orgulhoso, termina a entrevista: “Noi siam partiti da i nostri paesi. Noi siam partiti co i nostri onori (...) merica, merica, merica...”.
Sete de setembro. Cheguei num carro de campanha política, todo adesivado, com “40” e “Hamilton” para todo lado. A casa ficava em cima de uma montanha e, quando apontei no estacionamento, o senhor já me esperava na porta. Silvio Lazarini, 85 anos, de família tradicional italiana e figura ilustre na cidade de Pedreira. O motorista já me avisa: “Este senhor é o orgulho da nossa cidade. Fez muita história aqui em Pedreira”.
A casa era antiga, mas muito bem conservada. Ele sentou na ponta de uma mesa enorme, na entrada da sala principal, e eu sentei ao lado.
“Eu falo, depois você anota”.
Dia 26 de agosto de 1954, Getúlio Vargas se suicidou. “É o que dizem. Não dava pra confiar muito”, afirmou Lazarini. “Estava capinando a roça. Agosto é mês de seca e eu mexia com esterco, estava preparando para depois umedecer e vender. Minha mãe, já falecida, veio lá de dentro e me avisou ‘o presidente morreu’. Fui lá, ouvi o rádio e depois voltei pra roça. A vida continuava.”.
Sr. Silvio acompanhou o noticiário pelo rádio. “Tinha TV naquela época? Bom, eu não tinha. Eu fui ter a primeira em 69”, afirma. Lazarini levantou foi até uma outra sala, depois voltou e disse: “Eu acho que Getúlio era um bom presidente. Ele foi ditador por muito tempo, mas depois teve voto direto e foi eleito. Isto é sinal de que ele era bom pro povo. O povo votou nele porque gostava dele”.
Silvio Lazarini foi eleito vereador em Pedreira por três vezes, entre 1968-1972, 1984-1990 e 1990-1994. “Quem era pra assumir era Jango...o Goulart, mas ele tava no estrangeiro. Naquela época, o vice era eleito separado do presidente. E ele não era da mesma chapa. Daí colocou o (...) não lembro quem veio depois, não sei se era presidente da Câmara, do Senado, era alguém de autoridade. Depois fizeram aquele governo (...) Como é o nome mesmo?”. Sr. Silvio olha para minhas anotações e fica pensativo. Depois de um tempo, dirige-se a mim: “ Tem presidencialismo...”, eu ajudo: “Parlamentarismo?!?”. “Isto, isto. Puseram isto lá. Não sei se tava certo ou errado, porque a gente era muito distante. Eu ouvia o rádio e acompanhava as notícias. Não mudou minha rotina. O que eu senti? Decepção. Era um bom presidente”.
Onze horas. De onde estávamos, dava para ouvir as comemorações do dia da Independência que passavam na televisão. Na cozinha ao lado, sua mulher já estava terminando o almoço.
O senhor declara: “Antigamente, a gente tinha muito mais civismo. O povo ia pra rua, hasteava a bandeira, cantava o hino. Hoje, nem isto. Tenho uma coisa para lhe mostrar”. Ele se levanta, vai até a mesma sala que se dirigiu anteriormente, volta com uma enorme pasta preta na mão, põe na mesa e fala para eu ler. Era uma pasta nova, com plástico e, dentro, havia diversas partituras. Começo a folhear e me deparo com a canção do imigrante italiano. Lazarini, orgulhoso, termina a entrevista: “Noi siam partiti da i nostri paesi. Noi siam partiti co i nostri onori (...) merica, merica, merica...”.
quarta-feira, 22 de fevereiro de 2006
Um dia de clichês
Chá para o estômago: 20 centavos
Internet o dia inteiro: 30 reais
Cansaço, sono, mal-estar: não tem preço.
Mais vale um dia de trabalho na mão do que dois dias doentes voando...
Homeopatia mole, alopatia dura... tanto engole que até atura
Remédio dado não se olha o gosto (sinestésico mesmo)
Nem tudo que tem bula funciona.
Quem desdenha, quer ficar de cama.
Vão-se os dias, ficam as olheiras.
Doente que fica de cama, deveria ter cem anos de saúde garantida.
Tal namorado, tal namorada.
Chá para o estômago: 20 centavos
Internet o dia inteiro: 30 reais
Cansaço, sono, mal-estar: não tem preço.
Mais vale um dia de trabalho na mão do que dois dias doentes voando...
Homeopatia mole, alopatia dura... tanto engole que até atura
Remédio dado não se olha o gosto (sinestésico mesmo)
Nem tudo que tem bula funciona.
Quem desdenha, quer ficar de cama.
Vão-se os dias, ficam as olheiras.
Doente que fica de cama, deveria ter cem anos de saúde garantida.
Tal namorado, tal namorada.
sexta-feira, 10 de fevereiro de 2006
domingo, 29 de janeiro de 2006

Passeando pelos blogs...
Solidão não é a falta de gente para conversar, namorar, passear ou fazer sexo... isto é carência. Solidão não é o sentimento que experimentamos pela ausência de entes queridos que não podem mais voltar... isto é saudade. Solidão não é o retiro voluntário que a gente se impõe as vezes, para realinhar os pensamentos... isto é equilíbrio. Solidão não é o vazio de gente ao nosso lado... isto é circunstância. Solidão é muito mais que isto... Solidão é quando nos perdemos de nós mesmos e procuramos, em vão, pela nossa Alma!
Kadidja Thais Menezes da Rocha (www.caindonareal.blog-se.com.br)
quarta-feira, 25 de janeiro de 2006
sexta-feira, 13 de janeiro de 2006
Se minha vida fosse resumida em duas semanas, teria muita história para contar.Na minha modesta opinião, a vida é feita de quantas perguntas você já fez para ela. Que graça teria se não tivéssemos tantas perguntas a responder? Isto é sinal de que alguma coisa acontece e isto me deixa, de certo modo, feliz.Precisaria de muito espaço para colocar todas as questões com as quais me deparei nos últimos tempos. E, não sei se por força da tão proclamada sociedade capitalista em que vivemos ou pela busca de superação da minha própria astúcia, tento respondê-las todas rapidamente. Não demora muito e logo me deparo com novas dúvidas.Indícios de envelhecimento, enlouquecimento ou amadurecimento à parte, isto me dá um certo prazer momentâneo. A possibilidade de buscar respostas rápidas e o surgimento de novas indagações me fazem caminhar pelos cantos mais obscuros da minha mente e, melhor ainda, carregando um feixe de luz pelos seus labirintos. Não resolve todos os problemas (óbvio para mim e triste para Freud), mas a construção do crepúsculo, se bem contextualizado, torna o ambiente muito mais interessante. E é neste universo que se encontram minhas idéias misturadas, lógico, com meu desejo de obter controle das coisas e de tomar decisões, ou seja, o local da onde saem as respostas. Dadas estas colocações, dá para imaginar quantas soluções absurdas, bizarras e inesperadas já saíram daqui da meia-luz de minha mente?!?Não. Acho que não. Se bobear, eu tirei até crocodilo achando que era formiga. E girafa jurando que era um elefante. Não tem problema. Afinal, nem sempre tudo, graças a Deus, não dá certo. Respostas essencialíssimas (eita que eu peguei essa mania de superlativíssimo) não saem nem acendendo um holofote: O que eu estou fazendo no blog com um TCC inteiro para fazer?Aff...
segunda-feira, 26 de dezembro de 2005
Porque eu sou do interior
E a cidade é grande e as luzes são muitas.
Prédios altos?!
Não são barreiras para minhas idéias.
E elas sobem, sobem, sobem
Atravessam a cortina cinzenta sobre mim
E param num lugar pior do que qualquer outra coisa:
Mente em branco.
Tudo que passa nela se esvai pelo ar.
Tanto esforço e cheguei numa página em branco.
O editor do livro da minha vida deve tê-la esquecido
ou a impressora das minhas viagens deve ter puxado uma folha a mais.
Porque tinta, arquivo e idéias não faltam.
Pelo contrário, tem muita coisa pendente.
Deve ser São Paulo.
Esta cidade ainda me abre muitas janelas e, às vezes, desorganiza o processo.
Aproveitei a folha em branco para escrever no meu blog.
Viu como tudo faz sentido?
E a cidade é grande e as luzes são muitas.
Prédios altos?!
Não são barreiras para minhas idéias.
E elas sobem, sobem, sobem
Atravessam a cortina cinzenta sobre mim
E param num lugar pior do que qualquer outra coisa:
Mente em branco.
Tudo que passa nela se esvai pelo ar.
Tanto esforço e cheguei numa página em branco.
O editor do livro da minha vida deve tê-la esquecido
ou a impressora das minhas viagens deve ter puxado uma folha a mais.
Porque tinta, arquivo e idéias não faltam.
Pelo contrário, tem muita coisa pendente.
Deve ser São Paulo.
Esta cidade ainda me abre muitas janelas e, às vezes, desorganiza o processo.
Aproveitei a folha em branco para escrever no meu blog.
Viu como tudo faz sentido?
quarta-feira, 20 de julho de 2005
Tradução tosca para uma música tosca que a tosca aqui às vezes fica ouvindo.
The days pass slowly
The night say to me you wont´t come back
the furnitures enter in chaos
I run the world and I can't reach you
Without you my radio is mute
my tv is uncolor
my guitar plays no sound
without my body doesn't reflect more in the mirror
my house fall down
without you I lost the ground
So accept me like I am
Don't ask me to change
these crazes that you've already pardoned
My life is going on
I am trying to disguise
But I'll leave the badroom's door open
case you want come back
Nota: Fiz com minhas próprias mãos (?!?), portanto alguns trechos não estão literalmente traduzidos e outros estão literais demais... heheheh... devo confessar que meu inglês não está lá muito bom...
ah! Se vc ainda está perdido... é uma música brasileira que eu passei para o inglês (falta do que fazer) e ainda tenho muitas outras... (ai que vergonha)
The days pass slowly
The night say to me you wont´t come back
the furnitures enter in chaos
I run the world and I can't reach you
Without you my radio is mute
my tv is uncolor
my guitar plays no sound
without my body doesn't reflect more in the mirror
my house fall down
without you I lost the ground
So accept me like I am
Don't ask me to change
these crazes that you've already pardoned
My life is going on
I am trying to disguise
But I'll leave the badroom's door open
case you want come back
Nota: Fiz com minhas próprias mãos (?!?), portanto alguns trechos não estão literalmente traduzidos e outros estão literais demais... heheheh... devo confessar que meu inglês não está lá muito bom...
ah! Se vc ainda está perdido... é uma música brasileira que eu passei para o inglês (falta do que fazer) e ainda tenho muitas outras... (ai que vergonha)
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